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Monday, December 16, 2013

Durante o serviço militar obrigatório no Exército britânico, um oficial terá perguntado a Peter O'Toole, filho de irlandeses criado na cidade inglesa de Leeds, se tinha alguma ambição na vida. Respondeu que gostaria de tentar a poesia ou a representação.
Da sua poesia (se a escreveu) não reza a história, embora tenha publicado dois volumes autobiográficos muitíssimo bem recebidos (com um terceiro à espera de edição). Quanto à representação, estamos conversados: Peter O'Toole, falecido no sábado, 14 de Dezembro, aos 81 anos de idade, tornou-se num dos grandes actores de uma geração britânica que não foi parca em talento. Mas continua a ser por Lawrence da Arábia (1962), o seu primeiro grande papel no cinema, que é recordado.
Foi por Albert Finney ter recusado o papel de Lawrence que o realizador David Lean foi buscar O'Toole. Há aqui alguma ironia, porque Finney e O'Toole foram colegas na lendária Academia Real de Artes Dramáticas londrina, na qual se inscreveu depois do serviço militar – do mesmo ano de inscrição fazia igualmente parte Alan Bates, e esta “turma” foi “a mais notável que por lá passou alguma vez”, nas palavras do actor (embora o seu talento não tenha na altura sido reconhecido pela direcção, que os considerava a todos “maluquinhos”).
Nos anos antes de Lawrence, O'Toole dedicou-se ao teatro (diria numa entrevista, anos mais tarde, que foi essa experiência que lhe deu a “bagagem” necessária), passou pela televisão e teve alguns papéis no cinema. Mas foi o épico de Lean que o tornou conhecido mundialmente, abrindo-lhe as portas para uma carreira que, apesar do arranque em força, nem sempre cumpriu as expectativas.
Em parte, essa decepção deve-se aos papéis que O'Toole foi aceitando; tal como Michael Caine, que sempre admitiu escolher filmes por questões de sobrevivência (que os actores também têm de pagar renda), dificilmente encontraremos na carreira de mais de 50 anos de O'Toole um papel que faça sombra a Lawrence. No entanto, deve-se também à reputação que o precedia, de boémio e bon-vivant – o seu casamento tempestuoso com a actriz Siân Phillips, que durou 20 anos, foi marcado pelo ciúme e acessos de alcoolismo.
Mas, depois de uma operação delicada que viu o pâncreas e parte do estômago serem-lhe cirurgicamente retirados em 1976, e de uma doença sanguínea em 1978, O'Toole deixaria de beber. Os excessos eram, contudo, indissociáveis da geração da qual fez parte – o actor foi igualmente contemporâneo de Richard Burton, Richard Harris, Tom Courtenay, Oliver Reed ou Terence Stamp, alguns dos quais igualmente conhecidos pelos seus apetites maiores que a vida.
O'Toole acabaria por ser oito vezes nomeado para o Óscar de melhor actor, a última das quais em 2006, sem nunca receber a estatueta, no que é um recorde negativo na história dos prémios. Para além de Lawrence da Arábia (pelo qual ganhou o prémio BAFTA da Academia Britânica), foi nomeado por Becket (1964), de Peter Glenville, contracenando com Richard Burton; O Leão no Inverno (1968), de Anthony Harvey, contracenando com Katharine Hepburn (que ganhou o Óscar neste filme); Adeus, Mr. Chips (1969), de Herbert Ross; A Classe Dominante (1971), de Peter Medak; O Fugitivo (1978), de Richard Rush; O Meu Ano Favorito (1982), de Richard Benjamin; e Vénus (2006), de Roger Michell.

O Óscar carreira
Mas o único Óscar que levou para casa foi um galardão honorário pelo conjunto da sua carreira, entregue em 2003. Na altura, pediu à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood que esperasse pelo seu 80.º aniversário: “Ainda estou em jogo e sabe-se lá se ainda não ganho o fulano [o Óscar] até lá.”
A Academia não quis esperar – e O'Toole até teve razão, porque foi três anos mais tarde que recebeu a sua última nomeação. Ganhou igualmente três Globos de Ouro (por Becket, O Leão no Inverno e Adeus, Mr. Chips) e um Emmy de actor secundário pela sua participação na série televisiva Joan of Arc (1999). Outros títulos da sua carreira incluem Lord Jim (1964), de Richard Brooks, baseado em Joseph Conrad, O Que Há de Novo, Gatinha? (1967), de Clive Donner, escrito por Woody Allen, O Homem de la Mancha (1972), de Arthur Hiller, adaptação musical de D. Quixote onde contracenou com Sofia Loren, ou O Último Imperador (1987), de Bernardo Bertolucci.
O cinema acabaria por “travar” a sua carreira teatral, que se tornou muito mais esporádica, e só na década de 1980 regressaria aos palcos, numa encenação de Macbeth que foi um grande sucesso público e um fracasso crítico.
Nos últimos anos tinha-se igualmente dedicado à televisão, surgindo na série Os Tudors no papel do Papa Paulo III, e deu a voz ao crítico gastronómico Anton Ego na animação da Pixar Ratatui (2007). Há poucos meses, havia anunciado a sua retirada da profissão, alegando “já não ter gosto” por ela. “A paixão deixou-me e já não vai voltar.”
Peter O'Toole nasceu em 1932, filho de um corretor de apostas irlandês e de uma enfermeira escocesa; para algumas fontes, nasceu em Junho em Connemara, na Irlanda, para outras em Agosto em Leeds, para onde os pais se haviam mudado.
Morreu em Londres a 14 de Dezembro de 2013, na sequência de doença prolongada, segundo revelou o agente do actor (sem, contudo, especificar a causa da morte), aos 81 anos. Deixa duas filhas do seu casamento com a actriz Siân Phillips e um filho da relação com Karen Brown.

Peter O'Toole (1932-2013): a segunda morte de Lawrence da Arábia*

Durante o serviço militar obrigatório no Exército britânico, um oficial terá perguntado a Peter O'Toole, filho de irlandeses criado na cidade inglesa de Leeds, se tinha alguma ambição na vida. Respondeu que gostaria de tentar a poesia ou a representação.
Da sua poesia (se a escreveu) não reza a história, embora tenha publicado dois volumes autobiográficos muitíssimo bem recebidos (com um terceiro à espera de edição). Quanto à representação, estamos conversados: Peter O'Toole, falecido no sábado, 14 de Dezembro, aos 81 anos de idade, tornou-se num dos grandes actores de uma geração britânica que não foi parca em talento. Mas continua a ser por Lawrence da Arábia (1962), o seu primeiro grande papel no cinema, que é recordado.
Foi por Albert Finney ter recusado o papel de Lawrence que o realizador David Lean foi buscar O'Toole. Há aqui alguma ironia, porque Finney e O'Toole foram colegas na lendária Academia Real de Artes Dramáticas londrina, na qual se inscreveu depois do serviço militar – do mesmo ano de inscrição fazia igualmente parte Alan Bates, e esta “turma” foi “a mais notável que por lá passou alguma vez”, nas palavras do actor (embora o seu talento não tenha na altura sido reconhecido pela direcção, que os considerava a todos “maluquinhos”).
Nos anos antes de Lawrence, O'Toole dedicou-se ao teatro (diria numa entrevista, anos mais tarde, que foi essa experiência que lhe deu a “bagagem” necessária), passou pela televisão e teve alguns papéis no cinema. Mas foi o épico de Lean que o tornou conhecido mundialmente, abrindo-lhe as portas para uma carreira que, apesar do arranque em força, nem sempre cumpriu as expectativas.
Em parte, essa decepção deve-se aos papéis que O'Toole foi aceitando; tal como Michael Caine, que sempre admitiu escolher filmes por questões de sobrevivência (que os actores também têm de pagar renda), dificilmente encontraremos na carreira de mais de 50 anos de O'Toole um papel que faça sombra a Lawrence. No entanto, deve-se também à reputação que o precedia, de boémio e bon-vivant – o seu casamento tempestuoso com a actriz Siân Phillips, que durou 20 anos, foi marcado pelo ciúme e acessos de alcoolismo.
Mas, depois de uma operação delicada que viu o pâncreas e parte do estômago serem-lhe cirurgicamente retirados em 1976, e de uma doença sanguínea em 1978, O'Toole deixaria de beber. Os excessos eram, contudo, indissociáveis da geração da qual fez parte – o actor foi igualmente contemporâneo de Richard Burton, Richard Harris, Tom Courtenay, Oliver Reed ou Terence Stamp, alguns dos quais igualmente conhecidos pelos seus apetites maiores que a vida.
O'Toole acabaria por ser oito vezes nomeado para o Óscar de melhor actor, a última das quais em 2006, sem nunca receber a estatueta, no que é um recorde negativo na história dos prémios. Para além de Lawrence da Arábia (pelo qual ganhou o prémio BAFTA da Academia Britânica), foi nomeado por Becket (1964), de Peter Glenville, contracenando com Richard Burton; O Leão no Inverno (1968), de Anthony Harvey, contracenando com Katharine Hepburn (que ganhou o Óscar neste filme); Adeus, Mr. Chips (1969), de Herbert Ross; A Classe Dominante (1971), de Peter Medak; O Fugitivo (1978), de Richard Rush; O Meu Ano Favorito (1982), de Richard Benjamin; e Vénus (2006), de Roger Michell.

O Óscar carreira
Mas o único Óscar que levou para casa foi um galardão honorário pelo conjunto da sua carreira, entregue em 2003. Na altura, pediu à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood que esperasse pelo seu 80.º aniversário: “Ainda estou em jogo e sabe-se lá se ainda não ganho o fulano [o Óscar] até lá.”
A Academia não quis esperar – e O'Toole até teve razão, porque foi três anos mais tarde que recebeu a sua última nomeação. Ganhou igualmente três Globos de Ouro (por Becket, O Leão no Inverno e Adeus, Mr. Chips) e um Emmy de actor secundário pela sua participação na série televisiva Joan of Arc (1999). Outros títulos da sua carreira incluem Lord Jim (1964), de Richard Brooks, baseado em Joseph Conrad, O Que Há de Novo, Gatinha? (1967), de Clive Donner, escrito por Woody Allen, O Homem de la Mancha (1972), de Arthur Hiller, adaptação musical de D. Quixote onde contracenou com Sofia Loren, ou O Último Imperador (1987), de Bernardo Bertolucci.
O cinema acabaria por “travar” a sua carreira teatral, que se tornou muito mais esporádica, e só na década de 1980 regressaria aos palcos, numa encenação de Macbeth que foi um grande sucesso público e um fracasso crítico.
Nos últimos anos tinha-se igualmente dedicado à televisão, surgindo na série Os Tudors no papel do Papa Paulo III, e deu a voz ao crítico gastronómico Anton Ego na animação da Pixar Ratatui (2007). Há poucos meses, havia anunciado a sua retirada da profissão, alegando “já não ter gosto” por ela. “A paixão deixou-me e já não vai voltar.”
Peter O'Toole nasceu em 1932, filho de um corretor de apostas irlandês e de uma enfermeira escocesa; para algumas fontes, nasceu em Junho em Connemara, na Irlanda, para outras em Agosto em Leeds, para onde os pais se haviam mudado.
Morreu em Londres a 14 de Dezembro de 2013, na sequência de doença prolongada, segundo revelou o agente do actor (sem, contudo, especificar a causa da morte), aos 81 anos. Deixa duas filhas do seu casamento com a actriz Siân Phillips e um filho da relação com Karen Brown.

Thursday, December 5, 2013

É incrível quanto a ideia de uma vida humana ser perdida de forma tão súbita e violenta como em um acidente de carro marca o nosso inconsciente através de um misto de horror e curiosidade. Mais incrível ainda é como isso parece ser potencializado quando a vítima é uma pessoa famosa. Para confirmar esse ponto de vista, basta lembrarmos a grande repercussão que até hoje tem os acidentes que vitimaram o ator James Dean (1931-1955), a atriz Grace Kelly (1929-1982) e a princesa Diana (1961-1997), por exemplo. Mas o que exatamente faz com que a morte de uma pessoa famosa em um acidente de carro nos deixe tão perturbados? A resposta pode ser porque talvez elas morreram fazendo algo que nós costumamos fazer todos os dias, ou seja, andar de carro.
No último sábado, o ator Paul Walker (1973-2013) morreu depois de que o Porsche Carrera GT dirigido em alta velocidade por um amigo bateu em um poste e pegou fogo. Que infeliz coincidência com James Dean, que também morreu no volante de um Porsche... Enfim, Walker não será lembrado por ser necessariamente um grande ator, mas pela legião de fãs que conquistou por estrelar, junto com Vin Diesel, os filmes de Velozes e Furiosos, uma das mais lucrativas franquias do cinema que, desde 2001, vem mostrando (de forma romanceada) o submundo das corridas clandestinas. O Top 5 de hoje é uma singela homenagem a Walker e vai mostrar os cinco melhores carros que ele dirigiu nos filmes.


1 - Mitsubishi Eclipse 1995 (The Fast and The Furious, 2001)
Apesar de praticamente todos os fãs da série endeusarem o Supra, para mim o número 1 da lista é o Mitsubishi Eclipse com que Brian O'Conner, o personagem vivido por Paul Walker, fez sua estreia nas corridas clandestinas no primeiro Velozes e Furiosos. Isso aconteceu quando a polícia de Los Angeles e o FBI resolveram infiltrar um agente a fim de investigar a relação de participantes das corridas com roubos de cargas e o escolhido foi justamente O'Conner que, para tanto, precisava de um carro. Foi aí que o FBI bancou a criação desse Eclipse, equipado com um motor turbo com intercooler e dois tanques de óxido nitroso (NOS).
 
2 - Toyota Supra (The Fast and The Furious, 2001)
Apesar de não estar em primeiro lugar, o Supra não poderia deixar de estar presente nesta lista, ainda mais por ter proporcionado um dos momentos mais fantásticos do filme, quando Brian e Don (Vin Diesel) vencem um pega contra uma Ferrari. O carro é um modelo de 1995 que recebeu um tratamento especial que incluiu uma novo pintura na cor Lamborghini DiablCandy, novo kit aerodinâmico e preparação pesada no motor original de seis cilindros bi-turbinado de 3 litros e 330 hp. Com as modificações, o motor chegou a 544 hp, o que o fazia ir de 0-100 km/h em apenas 4,3 segundos e a alcançar uma velocidade máxima de quase 300 km/h. O Supra participou do ápice do filme: o pega final entre Brian e Don, que pilotava o Dodge Charger.

3 - Nissan Skyline GT-R R34 (2 Fast 2 Furious, 2003)
Este foi o carro usado por Brian O'Conner no segundo filme da série, cuja ação se passa em Miami.  A história de como esse carro chegou às mãos de Brian é contada no sensacional curta "Turbo-Charged Prelude", que mostra sua fuga de Los Angeles após os acontecimentos do primeiro filme. Vários elementos tornaram a participação desse modelo no filme interessante: primeiro pelo fato de podermos relacionar a condição de fugitivo de Brian com o fato do Skyline não poder ser vendido nos Estados Unidos, o que tornava o modelo ilegal. Depois por conta do visual do carro ter ficado simplesmente animal com o uso de um kit aerodinâmico da C-West, pintura da House of Kolor e rodas HRE de 19 polegadas instaladas em pneus Toyo. A relação de Brian com os Skylines não terminaria aqui, pois ele ainda pilotaria outro modelo no quarto filme da série, "Velozes e Furiosos 4" (Fast & Furious, 2009).

 
4 - Lancer Evolution VII GSR 2001 (2 Fast 2 Furious, 2003)
No segundo filme da série, Brian O'Conner está participando de um pega em Miami com seu Skyline quando a polícia chega e, mesmo após uma incrível perseguição que inclui um salto sobre uma ponte levadiça, o acaba prendendo. Ao invés de ir em cana, Brian recebeu a promessa de ter sua ficha limpa se participar de mais uma missão como infiltrado, no caso para tentar prender o traficante Carter Verone (Cole Hauser), também fanático por corridas clandestinas. Para tal ele recebeu esse Lancer, do qual pouco se sabe sobre sua preparação, apenas que ele tem o título de ser o único pilotado pelo personagem de Paul Walker que não foi destruído em algum momento dos filmes da série.

5 - Subaru Impreza WRX STI 2007 (Fast & Furious, 2009)
Depois de uma mancada incrível com o terceiro filme da série, o inexplicável "Velozes e Furiosos: desafio em Tóquio" (The Fast and The Furious: Tokyo Drift, 2006), os estúdios Universal resolveu começar uma nova trilogia, acertadamente trazendo o elenco original de volta. No quarto filme da série, Brian O'Conner, agora trabalhando diretamente com o FBI, se junta a Don para se infiltrar na organização de um grande traficante de heroína. E eis que aparece esse incrível Impreza com motor 2,5 turbo, pintura da Jack's Auto Body, rodas Enkei de dezoito polegadas, câmbio Veilside, gaiola de proteção e sistema coletor de ar da Perrin.

Top 5: os carros de Paul Walker em "Velozes e Furiosos"

É incrível quanto a ideia de uma vida humana ser perdida de forma tão súbita e violenta como em um acidente de carro marca o nosso inconsciente através de um misto de horror e curiosidade. Mais incrível ainda é como isso parece ser potencializado quando a vítima é uma pessoa famosa. Para confirmar esse ponto de vista, basta lembrarmos a grande repercussão que até hoje tem os acidentes que vitimaram o ator James Dean (1931-1955), a atriz Grace Kelly (1929-1982) e a princesa Diana (1961-1997), por exemplo. Mas o que exatamente faz com que a morte de uma pessoa famosa em um acidente de carro nos deixe tão perturbados? A resposta pode ser porque talvez elas morreram fazendo algo que nós costumamos fazer todos os dias, ou seja, andar de carro.
No último sábado, o ator Paul Walker (1973-2013) morreu depois de que o Porsche Carrera GT dirigido em alta velocidade por um amigo bateu em um poste e pegou fogo. Que infeliz coincidência com James Dean, que também morreu no volante de um Porsche... Enfim, Walker não será lembrado por ser necessariamente um grande ator, mas pela legião de fãs que conquistou por estrelar, junto com Vin Diesel, os filmes de Velozes e Furiosos, uma das mais lucrativas franquias do cinema que, desde 2001, vem mostrando (de forma romanceada) o submundo das corridas clandestinas. O Top 5 de hoje é uma singela homenagem a Walker e vai mostrar os cinco melhores carros que ele dirigiu nos filmes.


1 - Mitsubishi Eclipse 1995 (The Fast and The Furious, 2001)
Apesar de praticamente todos os fãs da série endeusarem o Supra, para mim o número 1 da lista é o Mitsubishi Eclipse com que Brian O'Conner, o personagem vivido por Paul Walker, fez sua estreia nas corridas clandestinas no primeiro Velozes e Furiosos. Isso aconteceu quando a polícia de Los Angeles e o FBI resolveram infiltrar um agente a fim de investigar a relação de participantes das corridas com roubos de cargas e o escolhido foi justamente O'Conner que, para tanto, precisava de um carro. Foi aí que o FBI bancou a criação desse Eclipse, equipado com um motor turbo com intercooler e dois tanques de óxido nitroso (NOS).
 
2 - Toyota Supra (The Fast and The Furious, 2001)
Apesar de não estar em primeiro lugar, o Supra não poderia deixar de estar presente nesta lista, ainda mais por ter proporcionado um dos momentos mais fantásticos do filme, quando Brian e Don (Vin Diesel) vencem um pega contra uma Ferrari. O carro é um modelo de 1995 que recebeu um tratamento especial que incluiu uma novo pintura na cor Lamborghini DiablCandy, novo kit aerodinâmico e preparação pesada no motor original de seis cilindros bi-turbinado de 3 litros e 330 hp. Com as modificações, o motor chegou a 544 hp, o que o fazia ir de 0-100 km/h em apenas 4,3 segundos e a alcançar uma velocidade máxima de quase 300 km/h. O Supra participou do ápice do filme: o pega final entre Brian e Don, que pilotava o Dodge Charger.

3 - Nissan Skyline GT-R R34 (2 Fast 2 Furious, 2003)
Este foi o carro usado por Brian O'Conner no segundo filme da série, cuja ação se passa em Miami.  A história de como esse carro chegou às mãos de Brian é contada no sensacional curta "Turbo-Charged Prelude", que mostra sua fuga de Los Angeles após os acontecimentos do primeiro filme. Vários elementos tornaram a participação desse modelo no filme interessante: primeiro pelo fato de podermos relacionar a condição de fugitivo de Brian com o fato do Skyline não poder ser vendido nos Estados Unidos, o que tornava o modelo ilegal. Depois por conta do visual do carro ter ficado simplesmente animal com o uso de um kit aerodinâmico da C-West, pintura da House of Kolor e rodas HRE de 19 polegadas instaladas em pneus Toyo. A relação de Brian com os Skylines não terminaria aqui, pois ele ainda pilotaria outro modelo no quarto filme da série, "Velozes e Furiosos 4" (Fast & Furious, 2009).

 
4 - Lancer Evolution VII GSR 2001 (2 Fast 2 Furious, 2003)
No segundo filme da série, Brian O'Conner está participando de um pega em Miami com seu Skyline quando a polícia chega e, mesmo após uma incrível perseguição que inclui um salto sobre uma ponte levadiça, o acaba prendendo. Ao invés de ir em cana, Brian recebeu a promessa de ter sua ficha limpa se participar de mais uma missão como infiltrado, no caso para tentar prender o traficante Carter Verone (Cole Hauser), também fanático por corridas clandestinas. Para tal ele recebeu esse Lancer, do qual pouco se sabe sobre sua preparação, apenas que ele tem o título de ser o único pilotado pelo personagem de Paul Walker que não foi destruído em algum momento dos filmes da série.

5 - Subaru Impreza WRX STI 2007 (Fast & Furious, 2009)
Depois de uma mancada incrível com o terceiro filme da série, o inexplicável "Velozes e Furiosos: desafio em Tóquio" (The Fast and The Furious: Tokyo Drift, 2006), os estúdios Universal resolveu começar uma nova trilogia, acertadamente trazendo o elenco original de volta. No quarto filme da série, Brian O'Conner, agora trabalhando diretamente com o FBI, se junta a Don para se infiltrar na organização de um grande traficante de heroína. E eis que aparece esse incrível Impreza com motor 2,5 turbo, pintura da Jack's Auto Body, rodas Enkei de dezoito polegadas, câmbio Veilside, gaiola de proteção e sistema coletor de ar da Perrin.

Thursday, October 31, 2013

No nosso dia-a-dia, é fato de que os carros podem ser assustadores, principalmente quando são dirigidos (?) por irresponsáveis. O interessante é que o cinema vem explorando esse medo dos automóveis desde as décadas de 1980 e 1990 em filmes com muitas perseguições, assassinos psicopatas motorizados ou carros com pacto com o Diabo! Nesse último quesito, qualquer lista começaria com o Christine, o lindo Plymouth Fury 1958 possuído que só poderia ter saído da mente macabra de Stephen King ou ainda com o meu favorito nesse quesito: o Lincoln Continental Mk III customizado por George Barris para o filme "O Carro Assassino" (The Car, 1977), que ganhou uma postagem especial que você pode ler clicando aqui. Contudo, nosso objetivo aqui não é repetir modelos que todos já conhecem e sim mostrar outros carros, menos badalados, mas que igualmente geraram calafrios no cinema ou TV. Confira a lista e divirta-se!
 
1 - Dodge Chager de "Rodas da Morte" (Wheels of Terror, 1990)
Telefilme que mostra a história de Laura (Joanna Cassidy) e sua filha Stephanie (Marcie Leeds) que, tentando fugir da vida agitada e perigosa da cidade grande, se mudam de Los Angeles para a pequena e desértica Copper Valley, no Arizona. Os problemas começam a acontecer quando um psicopara dirigindo um sinistro Dodge Charger preto (a frente "amassada" é sensacional!) começa a sequestrar e molestar as meninas da região. Quando ele captura Stephanie, Laura parte em seu encalço dirigindo um ônibus escolar através do deserto! Ah sim, Laura conseguiu emprego como motorista de ônibus escolar no início do filme. No geral "Rodas da Morte" é ruim, mas o clima trash, o Charger e talvez uma das mais longas cenas de perseguição automobilística já feitas, vale uma vista. Ele está disponível no YouTube.

 2 - Dodge M4S Interceptor de "A Aparição" (The Wraith, 1986)
Ok, eu disse na introdução que esse Top 5 seria composto apenas por modelos pouco conhecidos tanto do cinema como da TV. Porém nem todo mundo conhece esse filme, mais familiar para quem está chegando agora à casa dos 40 como eu e que se cansou de assisti-lo no Cinema em Casa do SBT. Estrelado pelo ainda jovem e aparentemente careta Charlie Sheen, a ação deste filme se passa em uma cidadezinha em pleno deserto do Arizona (de novo?) dominada pela gangue motorizada de Packard Walsh (o que Nick Cassavetes fazia aqui?), que obrigava os moradores a fazer pega apostando seus carros. Walh ganhava todas, ainda mais porque eram os carros dirigidos por seus maus elementos incluíam um Corvette 1977, um Dodge Daytona Turbo Z 1986 e um Plymouth Barracuda 1966 com dentes de tubarão! A ação começa quando, de olho em Keri (Sherilyn Fenn), Walsh acaba por matar o pacato Jamie Hankins (Sheen). Pouco depois a cidade vê, bestializada, a chegada do estranho Jake Kesey pilotando um carro sensacional (um conceito criado pela Dodge em parceria com a fabricante de tintas PPG). Logo Kesey salva Keri e começa a eliminar um por um os membros da gangue de Walsh até se revelar como sendo na verdade o espírito de Jamie que voltou em busca de vingança. Audiência garantida!

 3 - Globin Truck de "Comboio do Terror" (Maximum Overdrive, 1986)
Lembro que assisti esse filme no Corujão. Ele, por coincidência, traz Emilio Estevez, irmão de Charlie Sheen, no papel de Bill Robinson, um ex-presidiário que trabalha na parada de caminhões Dixie Truck, perdida no interior da Carolina do Norte. Numa noite, a cauda de um cometa que passou próximo à Terra despejou gases na atmosfera que fizeram as máquinas ganharem vida. A princípio tudo parecia apenas estranho para Bill e seu chefe, Bubba Hendershot (que nome é esse? Vivido pelo veterano Pat Hingle), quando televisões, máquinas de refrigerante e cafeteiras passaram a apresentar defeitos estranhos. O problema se agravou quando os veículos estacionados no pátio começaram, comandados por um caminhão de uma fábrica de brinquedos, provavelmente um 1981 Western Star 4800, "decorado" com o rosto de um duende, a lhes atacar! A coisa evolui cada vez mais bizarramente a partir daí. Mas quem teve a ideia de colocar o rosto de um duende num caminhão? De Stephen King é claro, já que o roteiro foi baseado em um de seus trabalhos. King inclusive dirigiu o filme e cuidou pessoalmente de sua trilha sonora, toda a cargo da banda AC/DC. Isso não impediu o filme de ser horrível, fato admitido pelo próprio King, mas que é diversão garantida pela total falta de lógica.

4 - Peterbilt 281 1955 de "Encurralado" (Duel, 1971)
Vou quebrar a regra mais uma vez de não usar modelos famosos, mas este é simplesmente demais! Famoso um bom tempo depois de ter sido lançado, "Encurralado" foi um dos primeiros filmes dirigidos por Steve Spilberg, tendo sido feito para a TV. O roteiro foi inspirado em um conto de autoria de Richard Matheson, baseado em um encontro sinistro que teve com um caminhão a 22 de novembro de 1963, dia em que o presidente John Kennedy foi assassinado (Spielberg leu o conto numa Playboy). A ação gira em torno pelo vendedor David Mann (Dennis Weaver) que, durante uma maçante viagem de negócios pelas estradas desérticas da Califórnia (mais uma vez o deserto!), encontra um grande, fumaçento e velho caminhão-tanque que só a muito custo consegue ultrapassar. O que Mann não imaginava é que, depois disso seria implacavelmente perseguido pelo caminhão, cujo condutor nunca conseguimos ver completamente. Além das incríveis cenas de perseguição, o clima claustrofóbico do filme é construído através de pequenos detalhes como, por exemplo, as placas na frente do caminhão que para muitos são de outros motoristas vítimas de seu condutor psicopata.  

 5 - Cadillac Funeral Coach 1951 de "Rota da Morte" (Dead End, 2003)
Talvez o menos conhecido dos cinco filmes dessa lista, "Rota da Morte" é uma produção franco-americana que conta a história da família Harrington que, durante a tradicional viagem na véspera de Natal que faziam todo ano para passar o Natal na casa da avó, vão presenciar acontecimentos estranhos. Tudo ia bem quando o pai, Frank (vivido por Ray Wise), decide tomar um estranho atalho que era uma reta sem fim margeada por árvores sinistras. As únicas referências que aparecem são placas que apontam para a cidade de Marcott que, obviamente, não está no mapa usado por Ray. Eis que surge uma estranha mulher vestida de branco carregando um bebê que Ray, como em todos os filmes de terror, decide inexplicavelmente ajudar dando uma carona. A partir daí a morte chegará para todos os membros da família, sempre anunciada por um rabecão preto que aparece do nada e cujo motorista não é possível ver. O filme em si é ruim, mas vale dar uma olhada pelo lado trash.

Top 5 especial de Halloween: os carros assassinos

No nosso dia-a-dia, é fato de que os carros podem ser assustadores, principalmente quando são dirigidos (?) por irresponsáveis. O interessante é que o cinema vem explorando esse medo dos automóveis desde as décadas de 1980 e 1990 em filmes com muitas perseguições, assassinos psicopatas motorizados ou carros com pacto com o Diabo! Nesse último quesito, qualquer lista começaria com o Christine, o lindo Plymouth Fury 1958 possuído que só poderia ter saído da mente macabra de Stephen King ou ainda com o meu favorito nesse quesito: o Lincoln Continental Mk III customizado por George Barris para o filme "O Carro Assassino" (The Car, 1977), que ganhou uma postagem especial que você pode ler clicando aqui. Contudo, nosso objetivo aqui não é repetir modelos que todos já conhecem e sim mostrar outros carros, menos badalados, mas que igualmente geraram calafrios no cinema ou TV. Confira a lista e divirta-se!
 
1 - Dodge Chager de "Rodas da Morte" (Wheels of Terror, 1990)
Telefilme que mostra a história de Laura (Joanna Cassidy) e sua filha Stephanie (Marcie Leeds) que, tentando fugir da vida agitada e perigosa da cidade grande, se mudam de Los Angeles para a pequena e desértica Copper Valley, no Arizona. Os problemas começam a acontecer quando um psicopara dirigindo um sinistro Dodge Charger preto (a frente "amassada" é sensacional!) começa a sequestrar e molestar as meninas da região. Quando ele captura Stephanie, Laura parte em seu encalço dirigindo um ônibus escolar através do deserto! Ah sim, Laura conseguiu emprego como motorista de ônibus escolar no início do filme. No geral "Rodas da Morte" é ruim, mas o clima trash, o Charger e talvez uma das mais longas cenas de perseguição automobilística já feitas, vale uma vista. Ele está disponível no YouTube.

 2 - Dodge M4S Interceptor de "A Aparição" (The Wraith, 1986)
Ok, eu disse na introdução que esse Top 5 seria composto apenas por modelos pouco conhecidos tanto do cinema como da TV. Porém nem todo mundo conhece esse filme, mais familiar para quem está chegando agora à casa dos 40 como eu e que se cansou de assisti-lo no Cinema em Casa do SBT. Estrelado pelo ainda jovem e aparentemente careta Charlie Sheen, a ação deste filme se passa em uma cidadezinha em pleno deserto do Arizona (de novo?) dominada pela gangue motorizada de Packard Walsh (o que Nick Cassavetes fazia aqui?), que obrigava os moradores a fazer pega apostando seus carros. Walh ganhava todas, ainda mais porque eram os carros dirigidos por seus maus elementos incluíam um Corvette 1977, um Dodge Daytona Turbo Z 1986 e um Plymouth Barracuda 1966 com dentes de tubarão! A ação começa quando, de olho em Keri (Sherilyn Fenn), Walsh acaba por matar o pacato Jamie Hankins (Sheen). Pouco depois a cidade vê, bestializada, a chegada do estranho Jake Kesey pilotando um carro sensacional (um conceito criado pela Dodge em parceria com a fabricante de tintas PPG). Logo Kesey salva Keri e começa a eliminar um por um os membros da gangue de Walsh até se revelar como sendo na verdade o espírito de Jamie que voltou em busca de vingança. Audiência garantida!

 3 - Globin Truck de "Comboio do Terror" (Maximum Overdrive, 1986)
Lembro que assisti esse filme no Corujão. Ele, por coincidência, traz Emilio Estevez, irmão de Charlie Sheen, no papel de Bill Robinson, um ex-presidiário que trabalha na parada de caminhões Dixie Truck, perdida no interior da Carolina do Norte. Numa noite, a cauda de um cometa que passou próximo à Terra despejou gases na atmosfera que fizeram as máquinas ganharem vida. A princípio tudo parecia apenas estranho para Bill e seu chefe, Bubba Hendershot (que nome é esse? Vivido pelo veterano Pat Hingle), quando televisões, máquinas de refrigerante e cafeteiras passaram a apresentar defeitos estranhos. O problema se agravou quando os veículos estacionados no pátio começaram, comandados por um caminhão de uma fábrica de brinquedos, provavelmente um 1981 Western Star 4800, "decorado" com o rosto de um duende, a lhes atacar! A coisa evolui cada vez mais bizarramente a partir daí. Mas quem teve a ideia de colocar o rosto de um duende num caminhão? De Stephen King é claro, já que o roteiro foi baseado em um de seus trabalhos. King inclusive dirigiu o filme e cuidou pessoalmente de sua trilha sonora, toda a cargo da banda AC/DC. Isso não impediu o filme de ser horrível, fato admitido pelo próprio King, mas que é diversão garantida pela total falta de lógica.

4 - Peterbilt 281 1955 de "Encurralado" (Duel, 1971)
Vou quebrar a regra mais uma vez de não usar modelos famosos, mas este é simplesmente demais! Famoso um bom tempo depois de ter sido lançado, "Encurralado" foi um dos primeiros filmes dirigidos por Steve Spilberg, tendo sido feito para a TV. O roteiro foi inspirado em um conto de autoria de Richard Matheson, baseado em um encontro sinistro que teve com um caminhão a 22 de novembro de 1963, dia em que o presidente John Kennedy foi assassinado (Spielberg leu o conto numa Playboy). A ação gira em torno pelo vendedor David Mann (Dennis Weaver) que, durante uma maçante viagem de negócios pelas estradas desérticas da Califórnia (mais uma vez o deserto!), encontra um grande, fumaçento e velho caminhão-tanque que só a muito custo consegue ultrapassar. O que Mann não imaginava é que, depois disso seria implacavelmente perseguido pelo caminhão, cujo condutor nunca conseguimos ver completamente. Além das incríveis cenas de perseguição, o clima claustrofóbico do filme é construído através de pequenos detalhes como, por exemplo, as placas na frente do caminhão que para muitos são de outros motoristas vítimas de seu condutor psicopata.  

 5 - Cadillac Funeral Coach 1951 de "Rota da Morte" (Dead End, 2003)
Talvez o menos conhecido dos cinco filmes dessa lista, "Rota da Morte" é uma produção franco-americana que conta a história da família Harrington que, durante a tradicional viagem na véspera de Natal que faziam todo ano para passar o Natal na casa da avó, vão presenciar acontecimentos estranhos. Tudo ia bem quando o pai, Frank (vivido por Ray Wise), decide tomar um estranho atalho que era uma reta sem fim margeada por árvores sinistras. As únicas referências que aparecem são placas que apontam para a cidade de Marcott que, obviamente, não está no mapa usado por Ray. Eis que surge uma estranha mulher vestida de branco carregando um bebê que Ray, como em todos os filmes de terror, decide inexplicavelmente ajudar dando uma carona. A partir daí a morte chegará para todos os membros da família, sempre anunciada por um rabecão preto que aparece do nada e cujo motorista não é possível ver. O filme em si é ruim, mas vale dar uma olhada pelo lado trash.

Saturday, September 7, 2013

O ano era 1972 e o Brasil celebrava os 150 anos enquanto país independente. Eram tempos de regime militar e chegavam às salas de cinema dois filmes que discutiam as figuras de alguns heróis construídos ao longo da nossa história. De um lado, Joaquim Pedro de Andrade lançava Os Inconfidentes, longa-metragem que conta com José Wilker no papel de Tiradentes. Ali, o espectador é convidado a se enviesar pelo lado mais duro do processo sócio-político que culminou no surgimento do Estado independente. Esta seria a consequência de um projeto disputado por jovens idealistas, rapidamente contidos e torturados pelas forças repressoras da Coroa portuguesa. De outro, havia o filme Independência ou Morte!, dirigido por Carlos Coimbra, acompanhamos a vida e os obstáculos enfrentados por D. Pedro I - interpretado por Tarcísio Meira -, herdeiro de um trono europeu e transformado em Imperador de um jovem país americano.
Durante anos, o longa esteve presente em salas de aula e nas contínuas exibições das redes de TV, sempre que chegava o 7 de setembro. E ao nos dispormos a analisa-lo, seria muito simplório desancar a película por suas limitações técnicas e, mais ainda, por suas omissões narrativas. A título de exemplo, basta dizer que em sua uma hora e 47 minutos de duração, Independência ou Morte! não menciona sequer uma vez o fato do Brasil ter mantido a instituição da escravatura. Vemos nas telas, obviamente, figurantes negros realizando o trabalho braçal, carregando pessoas, vendendo frutas e batendo açúcar em tachos. No entanto, nenhum dos personagens utiliza a palavra “escravo” ou “escravidão”, ou mesmo dirige-se aos atores negros. Vale destacar que a manutenção da escravatura foi, ao tempo da Independência, pomo da discórdia e cerne do projeto político vitorioso de Estado independente, sendo discutida amplamente na Assembleia Constituinte e na imprensa da época. Outra ausência é a da própria criação do ente que hoje conhecemos pelo nome Brasil. Não há referência alguma à Confederação do Equador (1824-1825) ou ao fato de ter sido necessário lutar contra tropas portuguesas nas regiões Norte e Nordeste, quando declarada nossa autonomia.
Mais importante ainda, é buscar aquilo que o filme propõe como discurso histórico. Seja a visão revisionista sobre o Sul na Guerra de Secessão Americana (1861-1865), em E o vento levou (1939), seja a empreitada contra o jacobinismo na produção francesa Danton, o processo da Revolução (1983). Independência ou Morte! nos mostra um Brasil nascido naturalmente, a partir da vontade de um só homem, D. Pedro I. Como que caído do céu, o novo Estado não parece possuir qualquer cisão interna, salvo as maledicências espalhadas em torno do Imperador e de D. Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, interpretada por Glória Menezes. É significativo observar, a este respeito, que a única guerra mostrada no filme é a da Cisplatina (1825-1828), interpretada como uma invasão dos “platinos” ao Brasil. “Não posso admitir invasões em terras brasileiras. Vou levá-los a chicote, de volta a seu país” anuncia nosso protagonista, decidindo comandar pessoalmente as tropas que se encarregarão de expulsar os “invasores”.
O Brasil, mais do que uma ideia, teria sido, de acordo com o filme, um fato consumado, sedento de liberdade e necessitado de ordem. Pode mesmo soar um pouco excessivo, mas há no D. Pedro do diretor Carlos Coimbra o que, anos mais tarde, estaria presente no Batman de Christopher Nolan, por exemplo: é “o herói que merecemos, mas não o que queremos”. Abrindo o filme brasileiro com os eventos de 1831, que culminarão em sua renúncia ao trono, D. Pedro resiste em atender às exigências da população do Rio de Janeiro, pois como ele próprio o diz: “Informarei aos amotinados que eu estou pronto a fazer tudo para o povo, nada, porém, pelo povo”. Ao cabo da trama está selado seu papel como o de responsável por imprimir o caráter e a audácia necessários à independência, os quais o “povo”, por conta própria, não teria condições de suprir.

Daí seu tórrido caso de amor com Domitila ser de tamanha relevância. No filme, o Brasil se torna resultado não apenas das ações, mas, sobretudo da personalidade viril de Sua Majestade Imperial, que vai moldando o destino das gentes àquilo que ele sabe ser o mais apropriado para elas e para o país. Uma liderança mais pessoal do que institucional teria garantido a liberdade, o território e mesmo a “democracia” brasileiras. Que importa se D. Pedro fechou a Assembleia Constituinte empossada em 1823, se ele próprio caminhava sem a segurança de tropas pelas ruas da Corte e falava diretamente com seus súditos, como mostrado na película? Este é inclusive um recurso amplamente utilizado na trama, encontrado nas cenas em que o monarca se dirige a uma adega ou ao estábulo, nos quais soldados e civis reúnem-se para discutir os fatos do dia. A eles, Pedro esclarece suas decisões e mede, como a um termômetro, a temperatura causada pelas mesmas. Independência ou Morte!teve de lutar contra a acusação de haver sido instrumento de propaganda do regime militar, mas talvez o tenha sido de um discurso de longuíssima durabilidade histórica, passível de identificação em diversos momentos do desenvolvimento político brasileiro. Trata-se da imagem do Brasil como produto de líderes ilustrados, mais capazes de ver as potencialidades da terra e do povo do que o próprio corpo constitutivo da nação. Não teria interessado apenas ao regime militar disseminar esta opinião, mas ao Estado Novo (1837-1945), à Primeira República, do voto do cabresto, e ao Império, que primeiro retirou aos analfabetos o direito de voto, em 1881. Mais do que instrumento de propaganda, Independência ou Morte! se apresenta hoje como prisma de discussão, em torno do qual pode-se discutir a natureza política do cinema nacional, o sentimento ufanista do Milagre econômico da década de 1970, e acima de tudo, as lutas, os homens e as ideias, desencadeadas na Independência do Brasil.

Independência ou Morte!*

O ano era 1972 e o Brasil celebrava os 150 anos enquanto país independente. Eram tempos de regime militar e chegavam às salas de cinema dois filmes que discutiam as figuras de alguns heróis construídos ao longo da nossa história. De um lado, Joaquim Pedro de Andrade lançava Os Inconfidentes, longa-metragem que conta com José Wilker no papel de Tiradentes. Ali, o espectador é convidado a se enviesar pelo lado mais duro do processo sócio-político que culminou no surgimento do Estado independente. Esta seria a consequência de um projeto disputado por jovens idealistas, rapidamente contidos e torturados pelas forças repressoras da Coroa portuguesa. De outro, havia o filme Independência ou Morte!, dirigido por Carlos Coimbra, acompanhamos a vida e os obstáculos enfrentados por D. Pedro I - interpretado por Tarcísio Meira -, herdeiro de um trono europeu e transformado em Imperador de um jovem país americano.
Durante anos, o longa esteve presente em salas de aula e nas contínuas exibições das redes de TV, sempre que chegava o 7 de setembro. E ao nos dispormos a analisa-lo, seria muito simplório desancar a película por suas limitações técnicas e, mais ainda, por suas omissões narrativas. A título de exemplo, basta dizer que em sua uma hora e 47 minutos de duração, Independência ou Morte! não menciona sequer uma vez o fato do Brasil ter mantido a instituição da escravatura. Vemos nas telas, obviamente, figurantes negros realizando o trabalho braçal, carregando pessoas, vendendo frutas e batendo açúcar em tachos. No entanto, nenhum dos personagens utiliza a palavra “escravo” ou “escravidão”, ou mesmo dirige-se aos atores negros. Vale destacar que a manutenção da escravatura foi, ao tempo da Independência, pomo da discórdia e cerne do projeto político vitorioso de Estado independente, sendo discutida amplamente na Assembleia Constituinte e na imprensa da época. Outra ausência é a da própria criação do ente que hoje conhecemos pelo nome Brasil. Não há referência alguma à Confederação do Equador (1824-1825) ou ao fato de ter sido necessário lutar contra tropas portuguesas nas regiões Norte e Nordeste, quando declarada nossa autonomia.
Mais importante ainda, é buscar aquilo que o filme propõe como discurso histórico. Seja a visão revisionista sobre o Sul na Guerra de Secessão Americana (1861-1865), em E o vento levou (1939), seja a empreitada contra o jacobinismo na produção francesa Danton, o processo da Revolução (1983). Independência ou Morte! nos mostra um Brasil nascido naturalmente, a partir da vontade de um só homem, D. Pedro I. Como que caído do céu, o novo Estado não parece possuir qualquer cisão interna, salvo as maledicências espalhadas em torno do Imperador e de D. Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, interpretada por Glória Menezes. É significativo observar, a este respeito, que a única guerra mostrada no filme é a da Cisplatina (1825-1828), interpretada como uma invasão dos “platinos” ao Brasil. “Não posso admitir invasões em terras brasileiras. Vou levá-los a chicote, de volta a seu país” anuncia nosso protagonista, decidindo comandar pessoalmente as tropas que se encarregarão de expulsar os “invasores”.
O Brasil, mais do que uma ideia, teria sido, de acordo com o filme, um fato consumado, sedento de liberdade e necessitado de ordem. Pode mesmo soar um pouco excessivo, mas há no D. Pedro do diretor Carlos Coimbra o que, anos mais tarde, estaria presente no Batman de Christopher Nolan, por exemplo: é “o herói que merecemos, mas não o que queremos”. Abrindo o filme brasileiro com os eventos de 1831, que culminarão em sua renúncia ao trono, D. Pedro resiste em atender às exigências da população do Rio de Janeiro, pois como ele próprio o diz: “Informarei aos amotinados que eu estou pronto a fazer tudo para o povo, nada, porém, pelo povo”. Ao cabo da trama está selado seu papel como o de responsável por imprimir o caráter e a audácia necessários à independência, os quais o “povo”, por conta própria, não teria condições de suprir.

Daí seu tórrido caso de amor com Domitila ser de tamanha relevância. No filme, o Brasil se torna resultado não apenas das ações, mas, sobretudo da personalidade viril de Sua Majestade Imperial, que vai moldando o destino das gentes àquilo que ele sabe ser o mais apropriado para elas e para o país. Uma liderança mais pessoal do que institucional teria garantido a liberdade, o território e mesmo a “democracia” brasileiras. Que importa se D. Pedro fechou a Assembleia Constituinte empossada em 1823, se ele próprio caminhava sem a segurança de tropas pelas ruas da Corte e falava diretamente com seus súditos, como mostrado na película? Este é inclusive um recurso amplamente utilizado na trama, encontrado nas cenas em que o monarca se dirige a uma adega ou ao estábulo, nos quais soldados e civis reúnem-se para discutir os fatos do dia. A eles, Pedro esclarece suas decisões e mede, como a um termômetro, a temperatura causada pelas mesmas. Independência ou Morte!teve de lutar contra a acusação de haver sido instrumento de propaganda do regime militar, mas talvez o tenha sido de um discurso de longuíssima durabilidade histórica, passível de identificação em diversos momentos do desenvolvimento político brasileiro. Trata-se da imagem do Brasil como produto de líderes ilustrados, mais capazes de ver as potencialidades da terra e do povo do que o próprio corpo constitutivo da nação. Não teria interessado apenas ao regime militar disseminar esta opinião, mas ao Estado Novo (1837-1945), à Primeira República, do voto do cabresto, e ao Império, que primeiro retirou aos analfabetos o direito de voto, em 1881. Mais do que instrumento de propaganda, Independência ou Morte! se apresenta hoje como prisma de discussão, em torno do qual pode-se discutir a natureza política do cinema nacional, o sentimento ufanista do Milagre econômico da década de 1970, e acima de tudo, as lutas, os homens e as ideias, desencadeadas na Independência do Brasil.

Tuesday, April 16, 2013

Não é preciso ser nerd, geek ou mesmo fã da saga Star Wars para identificar os stormtroopers, aqueles sujeitos de armadura branca, empunhando uma espécie de pistola laser (blasters) e usando indefectíveis capacetes que aparecem ao longo da chamada trilogia original, composta pelos episódios IV, V e VI, no caso “Uma Nova Esperança”, “O Império Contra-Ataca” e “O Retorno de Jedi” (A New Hope, The Empire Strikes Back e Return of the Jedi, 1977, 1980 e 1983, respectivamente). O sucesso estrondoso da saga fez com que eles, tal como os droids (como são chamados os robôs de uso civil que aparecem nos filmes) R2-D2 e C3PO, o wookie Chewbacca e o personagem da saga, no caso Darth Vader, se tornassem um ícone da cultura pop atual.
Para confirmar o que escrevi, experimente pesquisar seu nome no Google. Logo aparecerão milhares de referências sobre os soldados que constituem a elite das tropas do Império Galáctico e são diretamente subordinados ao Imperador Palpatine e a alguns de seus mais próximos comandantes, mais notadamente Darth Vader. Essa ligação aparece expressa justamente em suas armaduras e capacetes que, por serem equipamentos absolutamente iguais, nos fazem remeter aos ideais do Império: uniformidade, brutalidade e periculosidade.
Aqui é preciso fazer uma ressalva: quem tiver conferido os três primeiros episódios da saga, “A Ameaça Fantasma”, “O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith” (The Phantom Menace, Attack of the Clones e Revenge of the Sith, de 1999, 2002 e 2005, respectivamente), com certeza irá perceber que os soldados lá retratados são diferentes dos stormtroopers. Isso por que eles são os clone troopers (à direita), cujas diferenças podem ser inicialmente percebidas pelo formato do capacete e pelo fato que suas armaduras terem marcas coloridas que mostram suas unidades e patentes. A história desses soldados, contudo, está interligada. Os clone troopers foram criados em um planeta misterioso a partir de um só indivíduo – o caçador de recompensas Jango Fett – quando, diante da crise que se instaurava na República, se acreditou ser necessário a criação de um grande exército o mais rapidamente possível. Isso na verdade era um plano dos inimigos da República, os Sith, controladores do lado negro da Força, que mais tarde utilizariam esses mesmos soldados para derrubar o regime republicano. Após esse processo, que incluiu o expurgo dos jedi e a cooptação de Anakin Skywalker para o lado negro e sua consequente transformação em Darth Vader (ver “A Vingança dos Sith”), os clone troopers foram reorganizados e reagrupados, com a adição de novos recrutas, inclusive mulheres, em um novo corpo militar de elite – os stormtroopers – que tinha como missão principal impor a autoridade do Império em todos os cantos da galáxia.

Apesar de serem a tropa de elite do Império, não importa quantos stormtroopers estiverem atirando nos rebeldes, pois eles nunca vão acertar. Esse é o Efeito Stormtrooper.
Sobre as habilidades dos stormtroopers em combate ficou famosa uma cena no episódio IV em que Obi-Wan Kenobi (Alec Guiness), ao investigar as mortes de membros do Povo da Areia, diz para um espantado Luke Skywalker (Mark Hamill): "Somente stormtroopers imperiais podem ser tão precisos". Porém, o que se viu ao longo dos filmes foi que os stormtroopers se mostraram sempre pouco efetivos quando em combate com os rebeldes, mesmo quando em esmagadora superioridade numérica. Esse fato gerou até mesmo uma teoria presente em filmes de ação chamada de Efeito Stormtrooper, no qual não importa o quanto um grupo de possa ser perigoso, pois seus membros nunca serão capazes de acertar alguém que seja essencial para o filme. George Lucas tentou explicar isso afirmando que "a única razão pela qual determinados personagens são os principais se deve ao fato de serem os únicos a terem habilidades especiais". Como é que é!? Esse argumento é meio forçado quando nos lembramos que Luke Skywalker não era nada além de um fazendeiro em um planeta inóspito que nunca frequentou a academia jedi ou de pilotagem mas que foi capaz de enfrentar Darth Vader, o maior vilão de todos os tempos, e destruir a estação de combate altamente armada chamada Estrela da Morte com um tiro improvável, algo que nenhum dos pilotos da Aliança Rebelde muito mais experientes que ele conseguiram.
O esboço inicial dos stormtroopers (à esquerda) foi elaborado pelo diretor de arte Ralph McQuarrie, no qual eles eram equipados com sabres de luz e escudos. Obviamente, estas ideias foram abandonadas em favor do formato apresentado nos filmes. Após essas definições, McQuarrie e outros artistas começaram a projetar as partes que compõem a armadura e o capacete, primeiro em moldes de plástico e, depois, em fibra de vidro. Ao todo, a armadura de um stormtrooper é composta de 18 partes. Não irei me alongar nesses detalhes, que basicamente só interessam a quem, como eu, é fã incondicional da série. O que importa aqui é reafirmar a armadura como o símbolo de poder de um stormtrooper. Nos vários segmentos que compoem o universo de Star Wars além dos filmes (livros, jogos, desenhos animados), a armadura, apesar de ter sofrido várias modificações durante a cronologia própria da saga, sempre manteve um elemento de design básico: a total proteção a quem a usasse. Durante a trilogia original, a armadura era feita de um material chamado plastoid, com pontos reforçados em áreas vitais no tronco e nos membros, além do capacete que trazia uma série de equipamentos eletrônicos de comunicação, mira e organização de combate. Com o passar do tempo, as armaduras se tornaram cada vez mais eficazes não apenas em combate, mas também contra altas temperaturas e ao vácuo, (ambos em um curto período de tempo). Além disso, em alguns momentos elas apresentam algumas variações que demostram que havia um nível de especialização na tropa. Isso pode ser conferido no episódio IV quando aparecem os sandtroopers, especializados em combate no deserto e, no episódio seguinte, foi a vez dos os snowtroopers, especializados em combate em ambientes gelados. 
A armadura do stormtrooper (à esquerda) sempre foi motivo de piadas, uma vez que nitidamente restringe a mobilidade de quem a usa, principalmente a visão pelo capacete. Em outra cena famosa do episódio IV, Luke Skywalker, Han Solo (Harrison Ford), Chewbacca e os droids invadem a Estrela da Morte para salvar a princesa Leia (Carrie Fisher), eles atacam stormtroopers e roubam suas armaduras. Durante a ação, Skywalker se queixa de que era impossível enxergar com os capacetes. Na mesma sequência, uma curiosidade: aparece TK-421, o único stormtrooper com nome de toda a saga mas que dá uma mancada e permite que os rebeldes adentrem a estação. Enfim, aliado aos problemas da visão, devido à cor branca da armadura, um stormtrooper pode ser visto à quilômetros de distância e, como se pode observar nos filmes, não oferece proteção efetiva contra as armas rebeldes (ver “Uma Nova Esperança”), pois qualquer tiro põe eles fora de ação. Essas questões técnicas parece que pouco interessaram ao criador de Star Wars, George Lucas. Acredita-se que ele tenha criado o seu design de forma proposital na esperança de que a impossibilidade dos stormtroopers em demonstrar emoções ou identidade própria, elementos com que os espectadores pudessem simpatizar, ajudasse o rápido estabelecimento das diferenças entre o "bem" e o "mal" ao longo dos filmes.
Olhando o stormtrooper do ponto de vista histórico, contudo, torna possível supor que a inspiração de Lucas para criar a armadura dos stormtroopers veio dos equipamentos militares alemães utilizados nas duas Guerras Mundiais. Comecemos, pois, com o capacete (à direita), bem próximo aos usados pelo exército alemão na II Guerra Mundial. Enquanto isso, os depósitos de munição que os stormtroopers trazem à cintura remetem aos utilizados pela infantaria alemã ao longo do mesmo conflito. A mesma coisa acontece com a caixa cilíndrica presa às suas costas, que nos filmes é um thermal detonator, uma espécie de carga explosiva, nitidamente inspirada nas caixas que guardavam as máscaras contra gás alemãs. Por fim o nome, já que, coincidência ou não, é o mesmo da Sturmabteilung, as SA, uma milícia paramilitar utilizada por Adolf Hitler (1889-1945) para tumultuar o ambiente político da Alemanha e assim facilitar sua chegada e, consequentemente, a do Nazismo ao poder. As características marcantes das tropas de assalto nazistas, eram justamente a sua organização e a lealdade ao seu comandante e à ideologia do Estado. Quantas coincidências com os stormtroopers não?
Mas o que é que os stormtroopers tem a ver com carros? Muita coisa, afinal de contas a influência do estilo dos mais temíveis soldados do Império Galáctico também se estenderam sobre automóveis, dos quais selecionei dois exemplos.

Pelas fotos você poderá perceber como um fã pode declarar todo o seu amor a Star Wars através de um carro. O Dodge Avenger é considerado, no geral, um carro pouco excitante. Parece feio se olhado por alguns ângulos, já que suas laterais são um pouco altas demais. Estes problemas foram com certeza resolvidos com o pacote de customização Stormtrooper, criado por Scott Anderson e apresentado no SEMA Show de 2007.

Para começar, a óbvia referência a armadura e ao capacete dos stormtroopers na carroceria branca, na cobertura dos faróis de xenon e nas janelas fumês. Sob o capô, o carro tinha o motor V6 de 4 litros do crossover Pacifica equipado com câmbio automático de seis velocidades e transmissão all-wheel-drive. Outras modificações mecânicas incluíram suspensão rebaixada, freios de competição e rodas Alcoa Forged de 20 polegadas montadas em pneus Michelin. No exterior, foi instalado um novo conjunto aerodinâmico.

No interior foi usado um conjunto de bancos do Charger SRT8 com revestimento exclusivo de camurça, um novo painel com relógios de competição e consoles para dois notebooks, um na dianteira e outro na traseira. O primeiro permitia ao motorista ligar o carro, bem como acessar, por exemplo, a Mopar Performance Parts para encontrar esquemas de calibramento do motor. Já o traseiro permitia aos passageiros de divertir com jogos eletrônicos, ver filmes e navegar na internet.

Nas últimas três décadas, a empresa alemã Gemballa ganhou reputação ao tunar Porsches. Em 2010, a empresa iniciou o desafio de modificar o mais potente dos carros da Ferrari, a Enzo, num projeto chamado Gemballa MIG-U1, que foi previsto para ser produzido em uma edição limitada a 25 unidades.

Apesar de seu nome parecer mais uma homenagem à fábrica de aviões de combate russa Mikoyan-Gourevich (MiG), seu esquema de cores foi imediatamente associado ao "estilo stormtrooper". Entre as características mais importantes do carro estão modificações aerodinâmicas como o novo spolier dianteiro e os flaps traseiros com abertura automática quando o carro alcança 120km/h que, segundo a Gemballa, aumentaram o downforce do carro. Outra modificação é o scoop no teto que, além de proporcionar uma melhor refrigeração, garante ainda uma melhor alimentação de ar para o motor. Por falar em motor, ele foi modificado com um novo arranjo na injeção eletrônica e no sistema de exaustão que elevaram sua potência para 700 hp.

As grandes rodas também tem papel importante no pacote: produzidas pela Advanced Structural Alloys, elas são feitas de uma liga que combina grande estabilidade com leveza, tanto que cada uma – as dianteiras de 19 e as traseiras de 20 polegadas – pesa apenas cerca de 16 quilos. Com relação ao interior, a Gemballa o produz ao gosto do freguês.

Stormtroopers

Não é preciso ser nerd, geek ou mesmo fã da saga Star Wars para identificar os stormtroopers, aqueles sujeitos de armadura branca, empunhando uma espécie de pistola laser (blasters) e usando indefectíveis capacetes que aparecem ao longo da chamada trilogia original, composta pelos episódios IV, V e VI, no caso “Uma Nova Esperança”, “O Império Contra-Ataca” e “O Retorno de Jedi” (A New Hope, The Empire Strikes Back e Return of the Jedi, 1977, 1980 e 1983, respectivamente). O sucesso estrondoso da saga fez com que eles, tal como os droids (como são chamados os robôs de uso civil que aparecem nos filmes) R2-D2 e C3PO, o wookie Chewbacca e o personagem da saga, no caso Darth Vader, se tornassem um ícone da cultura pop atual.
Para confirmar o que escrevi, experimente pesquisar seu nome no Google. Logo aparecerão milhares de referências sobre os soldados que constituem a elite das tropas do Império Galáctico e são diretamente subordinados ao Imperador Palpatine e a alguns de seus mais próximos comandantes, mais notadamente Darth Vader. Essa ligação aparece expressa justamente em suas armaduras e capacetes que, por serem equipamentos absolutamente iguais, nos fazem remeter aos ideais do Império: uniformidade, brutalidade e periculosidade.
Aqui é preciso fazer uma ressalva: quem tiver conferido os três primeiros episódios da saga, “A Ameaça Fantasma”, “O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith” (The Phantom Menace, Attack of the Clones e Revenge of the Sith, de 1999, 2002 e 2005, respectivamente), com certeza irá perceber que os soldados lá retratados são diferentes dos stormtroopers. Isso por que eles são os clone troopers (à direita), cujas diferenças podem ser inicialmente percebidas pelo formato do capacete e pelo fato que suas armaduras terem marcas coloridas que mostram suas unidades e patentes. A história desses soldados, contudo, está interligada. Os clone troopers foram criados em um planeta misterioso a partir de um só indivíduo – o caçador de recompensas Jango Fett – quando, diante da crise que se instaurava na República, se acreditou ser necessário a criação de um grande exército o mais rapidamente possível. Isso na verdade era um plano dos inimigos da República, os Sith, controladores do lado negro da Força, que mais tarde utilizariam esses mesmos soldados para derrubar o regime republicano. Após esse processo, que incluiu o expurgo dos jedi e a cooptação de Anakin Skywalker para o lado negro e sua consequente transformação em Darth Vader (ver “A Vingança dos Sith”), os clone troopers foram reorganizados e reagrupados, com a adição de novos recrutas, inclusive mulheres, em um novo corpo militar de elite – os stormtroopers – que tinha como missão principal impor a autoridade do Império em todos os cantos da galáxia.

Apesar de serem a tropa de elite do Império, não importa quantos stormtroopers estiverem atirando nos rebeldes, pois eles nunca vão acertar. Esse é o Efeito Stormtrooper.
Sobre as habilidades dos stormtroopers em combate ficou famosa uma cena no episódio IV em que Obi-Wan Kenobi (Alec Guiness), ao investigar as mortes de membros do Povo da Areia, diz para um espantado Luke Skywalker (Mark Hamill): "Somente stormtroopers imperiais podem ser tão precisos". Porém, o que se viu ao longo dos filmes foi que os stormtroopers se mostraram sempre pouco efetivos quando em combate com os rebeldes, mesmo quando em esmagadora superioridade numérica. Esse fato gerou até mesmo uma teoria presente em filmes de ação chamada de Efeito Stormtrooper, no qual não importa o quanto um grupo de possa ser perigoso, pois seus membros nunca serão capazes de acertar alguém que seja essencial para o filme. George Lucas tentou explicar isso afirmando que "a única razão pela qual determinados personagens são os principais se deve ao fato de serem os únicos a terem habilidades especiais". Como é que é!? Esse argumento é meio forçado quando nos lembramos que Luke Skywalker não era nada além de um fazendeiro em um planeta inóspito que nunca frequentou a academia jedi ou de pilotagem mas que foi capaz de enfrentar Darth Vader, o maior vilão de todos os tempos, e destruir a estação de combate altamente armada chamada Estrela da Morte com um tiro improvável, algo que nenhum dos pilotos da Aliança Rebelde muito mais experientes que ele conseguiram.
O esboço inicial dos stormtroopers (à esquerda) foi elaborado pelo diretor de arte Ralph McQuarrie, no qual eles eram equipados com sabres de luz e escudos. Obviamente, estas ideias foram abandonadas em favor do formato apresentado nos filmes. Após essas definições, McQuarrie e outros artistas começaram a projetar as partes que compõem a armadura e o capacete, primeiro em moldes de plástico e, depois, em fibra de vidro. Ao todo, a armadura de um stormtrooper é composta de 18 partes. Não irei me alongar nesses detalhes, que basicamente só interessam a quem, como eu, é fã incondicional da série. O que importa aqui é reafirmar a armadura como o símbolo de poder de um stormtrooper. Nos vários segmentos que compoem o universo de Star Wars além dos filmes (livros, jogos, desenhos animados), a armadura, apesar de ter sofrido várias modificações durante a cronologia própria da saga, sempre manteve um elemento de design básico: a total proteção a quem a usasse. Durante a trilogia original, a armadura era feita de um material chamado plastoid, com pontos reforçados em áreas vitais no tronco e nos membros, além do capacete que trazia uma série de equipamentos eletrônicos de comunicação, mira e organização de combate. Com o passar do tempo, as armaduras se tornaram cada vez mais eficazes não apenas em combate, mas também contra altas temperaturas e ao vácuo, (ambos em um curto período de tempo). Além disso, em alguns momentos elas apresentam algumas variações que demostram que havia um nível de especialização na tropa. Isso pode ser conferido no episódio IV quando aparecem os sandtroopers, especializados em combate no deserto e, no episódio seguinte, foi a vez dos os snowtroopers, especializados em combate em ambientes gelados. 
A armadura do stormtrooper (à esquerda) sempre foi motivo de piadas, uma vez que nitidamente restringe a mobilidade de quem a usa, principalmente a visão pelo capacete. Em outra cena famosa do episódio IV, Luke Skywalker, Han Solo (Harrison Ford), Chewbacca e os droids invadem a Estrela da Morte para salvar a princesa Leia (Carrie Fisher), eles atacam stormtroopers e roubam suas armaduras. Durante a ação, Skywalker se queixa de que era impossível enxergar com os capacetes. Na mesma sequência, uma curiosidade: aparece TK-421, o único stormtrooper com nome de toda a saga mas que dá uma mancada e permite que os rebeldes adentrem a estação. Enfim, aliado aos problemas da visão, devido à cor branca da armadura, um stormtrooper pode ser visto à quilômetros de distância e, como se pode observar nos filmes, não oferece proteção efetiva contra as armas rebeldes (ver “Uma Nova Esperança”), pois qualquer tiro põe eles fora de ação. Essas questões técnicas parece que pouco interessaram ao criador de Star Wars, George Lucas. Acredita-se que ele tenha criado o seu design de forma proposital na esperança de que a impossibilidade dos stormtroopers em demonstrar emoções ou identidade própria, elementos com que os espectadores pudessem simpatizar, ajudasse o rápido estabelecimento das diferenças entre o "bem" e o "mal" ao longo dos filmes.
Olhando o stormtrooper do ponto de vista histórico, contudo, torna possível supor que a inspiração de Lucas para criar a armadura dos stormtroopers veio dos equipamentos militares alemães utilizados nas duas Guerras Mundiais. Comecemos, pois, com o capacete (à direita), bem próximo aos usados pelo exército alemão na II Guerra Mundial. Enquanto isso, os depósitos de munição que os stormtroopers trazem à cintura remetem aos utilizados pela infantaria alemã ao longo do mesmo conflito. A mesma coisa acontece com a caixa cilíndrica presa às suas costas, que nos filmes é um thermal detonator, uma espécie de carga explosiva, nitidamente inspirada nas caixas que guardavam as máscaras contra gás alemãs. Por fim o nome, já que, coincidência ou não, é o mesmo da Sturmabteilung, as SA, uma milícia paramilitar utilizada por Adolf Hitler (1889-1945) para tumultuar o ambiente político da Alemanha e assim facilitar sua chegada e, consequentemente, a do Nazismo ao poder. As características marcantes das tropas de assalto nazistas, eram justamente a sua organização e a lealdade ao seu comandante e à ideologia do Estado. Quantas coincidências com os stormtroopers não?
Mas o que é que os stormtroopers tem a ver com carros? Muita coisa, afinal de contas a influência do estilo dos mais temíveis soldados do Império Galáctico também se estenderam sobre automóveis, dos quais selecionei dois exemplos.

Pelas fotos você poderá perceber como um fã pode declarar todo o seu amor a Star Wars através de um carro. O Dodge Avenger é considerado, no geral, um carro pouco excitante. Parece feio se olhado por alguns ângulos, já que suas laterais são um pouco altas demais. Estes problemas foram com certeza resolvidos com o pacote de customização Stormtrooper, criado por Scott Anderson e apresentado no SEMA Show de 2007.

Para começar, a óbvia referência a armadura e ao capacete dos stormtroopers na carroceria branca, na cobertura dos faróis de xenon e nas janelas fumês. Sob o capô, o carro tinha o motor V6 de 4 litros do crossover Pacifica equipado com câmbio automático de seis velocidades e transmissão all-wheel-drive. Outras modificações mecânicas incluíram suspensão rebaixada, freios de competição e rodas Alcoa Forged de 20 polegadas montadas em pneus Michelin. No exterior, foi instalado um novo conjunto aerodinâmico.

No interior foi usado um conjunto de bancos do Charger SRT8 com revestimento exclusivo de camurça, um novo painel com relógios de competição e consoles para dois notebooks, um na dianteira e outro na traseira. O primeiro permitia ao motorista ligar o carro, bem como acessar, por exemplo, a Mopar Performance Parts para encontrar esquemas de calibramento do motor. Já o traseiro permitia aos passageiros de divertir com jogos eletrônicos, ver filmes e navegar na internet.

Nas últimas três décadas, a empresa alemã Gemballa ganhou reputação ao tunar Porsches. Em 2010, a empresa iniciou o desafio de modificar o mais potente dos carros da Ferrari, a Enzo, num projeto chamado Gemballa MIG-U1, que foi previsto para ser produzido em uma edição limitada a 25 unidades.

Apesar de seu nome parecer mais uma homenagem à fábrica de aviões de combate russa Mikoyan-Gourevich (MiG), seu esquema de cores foi imediatamente associado ao "estilo stormtrooper". Entre as características mais importantes do carro estão modificações aerodinâmicas como o novo spolier dianteiro e os flaps traseiros com abertura automática quando o carro alcança 120km/h que, segundo a Gemballa, aumentaram o downforce do carro. Outra modificação é o scoop no teto que, além de proporcionar uma melhor refrigeração, garante ainda uma melhor alimentação de ar para o motor. Por falar em motor, ele foi modificado com um novo arranjo na injeção eletrônica e no sistema de exaustão que elevaram sua potência para 700 hp.

As grandes rodas também tem papel importante no pacote: produzidas pela Advanced Structural Alloys, elas são feitas de uma liga que combina grande estabilidade com leveza, tanto que cada uma – as dianteiras de 19 e as traseiras de 20 polegadas – pesa apenas cerca de 16 quilos. Com relação ao interior, a Gemballa o produz ao gosto do freguês.

Sunday, December 9, 2012

Casablanca é uma importante cidade do Marrocos e de todo o norte da África, banhada pelo Oceano Atlântico. Serviu de cenário para o filme Casablanca, do diretor Michael Curtiz, cuja estréia deu-se em 1942, em pleno curso na Segunda Guerra Mundial.
Talvez a cena mais marcante do filme seja o momento em que Victor Lazlo (vivido pelo ator Paul Henreid), um dos líderes da resistência tcheca ao nazismo, leva a banda de música do Rick’s, café onde se desenrola toda a ação do filme, a tocar a Marselhesa. O hino francês encarna, simbolicamente, um cântico de guerra e de liberdade. Além do sentido simbólico do hino francês, há, também, um outro sentido, este político, e esses sentidos imbricam-se na trama da narrativa.
Nos quadros da Casablanca de então – desde 1907 o território esteve sob o domínio francês – aquele espaço era rota de passagem de fugitivos nazistas da Europa, além de ser um território de interesse geopolítico para a Europa. Na condição de território francês, a Marselhesaque Victor Lazlo ordena que fosse tocada era também uma manifestação contrária ao governo colaboracionista do Marechal Pétain, o chamado Governo de Vichy, inclinado para os nazistas que então ocupavam grande parte da França.
O filme Casablanca, nesse sentido, trouxe às salas de exibição do mundo inteiro uma história de amor entre os personagens de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, mas cujas representações projetavam uma outra história, a da Europa esfacelada pelos efeitos devastadores da Segunda Guerra Mundial.

Em uma das cenas mais antológicas da história do cinema, depois de uma áspera discussão com Rick (Humphrey Bogart), Lazlo presencia oficiais nazistas cantando Die Wacht am Rhein, canção patriótica da época da Guerra Franco-Prussiana (1870), conflito vencido pelos alemães. Indignado - sua expressão no alto da escada é impressionante -, Lazlo parte em direção à banda e pede que toquem a Marselhesa, o que é permitido por Rick. Lançado em plena Segunda Guerra Mundial, Casablanca fez parte de uma campanha de porpaganda movida por Hollywood a fim de convencer a opinião pública norte-americana da importância da participação dos Estados Unidos no conflito.

* Por Geraldo Mártires Coelho, pós-doutor em História pela Universidade Nova de Lisboa e professor aposentado da Universidade Federal do Pará.

70 anos de Casablanca*

Casablanca é uma importante cidade do Marrocos e de todo o norte da África, banhada pelo Oceano Atlântico. Serviu de cenário para o filme Casablanca, do diretor Michael Curtiz, cuja estréia deu-se em 1942, em pleno curso na Segunda Guerra Mundial.
Talvez a cena mais marcante do filme seja o momento em que Victor Lazlo (vivido pelo ator Paul Henreid), um dos líderes da resistência tcheca ao nazismo, leva a banda de música do Rick’s, café onde se desenrola toda a ação do filme, a tocar a Marselhesa. O hino francês encarna, simbolicamente, um cântico de guerra e de liberdade. Além do sentido simbólico do hino francês, há, também, um outro sentido, este político, e esses sentidos imbricam-se na trama da narrativa.
Nos quadros da Casablanca de então – desde 1907 o território esteve sob o domínio francês – aquele espaço era rota de passagem de fugitivos nazistas da Europa, além de ser um território de interesse geopolítico para a Europa. Na condição de território francês, a Marselhesaque Victor Lazlo ordena que fosse tocada era também uma manifestação contrária ao governo colaboracionista do Marechal Pétain, o chamado Governo de Vichy, inclinado para os nazistas que então ocupavam grande parte da França.
O filme Casablanca, nesse sentido, trouxe às salas de exibição do mundo inteiro uma história de amor entre os personagens de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, mas cujas representações projetavam uma outra história, a da Europa esfacelada pelos efeitos devastadores da Segunda Guerra Mundial.

Em uma das cenas mais antológicas da história do cinema, depois de uma áspera discussão com Rick (Humphrey Bogart), Lazlo presencia oficiais nazistas cantando Die Wacht am Rhein, canção patriótica da época da Guerra Franco-Prussiana (1870), conflito vencido pelos alemães. Indignado - sua expressão no alto da escada é impressionante -, Lazlo parte em direção à banda e pede que toquem a Marselhesa, o que é permitido por Rick. Lançado em plena Segunda Guerra Mundial, Casablanca fez parte de uma campanha de porpaganda movida por Hollywood a fim de convencer a opinião pública norte-americana da importância da participação dos Estados Unidos no conflito.

* Por Geraldo Mártires Coelho, pós-doutor em História pela Universidade Nova de Lisboa e professor aposentado da Universidade Federal do Pará.

Friday, October 5, 2012

 
No dia 5 de outubro de 1962 estreava nos cinemas a primeira aventura do agente 007. O filme era "007 Contra o Satânico Dr. No" (Dr. No, 1962) e trazia as aventuras de James Bond, criado pelo escritor Ian Fleming (1908-1964) no romance "Casino Royale", lançado em 1953. 
A data me pegou totalmente de surpresa, uma vez que obviamente gostaria de fazer uma postagem com os carros do agente, algo já manjado, mas que sempre agrada uma vez que eles sempre são super-máquinas cheias de truques e tecnologia que só mesmo o cinema pode criar. Enfim, como ainda nem comecei a fazer o texto, pensei apenas em colocar uma foto do maior de todos os 007, Sean Connery, ao lado do mais conhecido carro utilizado pelo personagem, o Aston Martin DB5 de 1963, que na época da realização do filme, ele ainda era um protótipo e foi emprestado mediante um seguro astronômico. Aí me lembrei que em meu antigo blog, o AWCoelho (uma postagem dele já apareceu aqui lembra?), havia feito uma postagem sobre as minhas Bondgirls preferidas. Assim, enquanto a postagem sobre os carros do 007 não vem (inclusive estou amadurecendo uma idéia muito bacana para ela) e para a data não passar em branco, vou reproduzi-la aqui. Só lembrando que o texto foi escrito em 2006, então ainda não entraram na lista as mulheres dos novos filmes estrelados por Daniel Craig.


Bond Girls

Em julho, a suíça Ursula Andress foi eleita a melhor Bond Girl de todos os tempos em uma pesquisa feita pela revista de cinema Empire e pela Sony Pictures. A atriz, hoje com 70 anos, foi a estrela de “007 Contra o Satânico Dr. No” (Dr. No, 1962). A partir dela, então com 26 anos, as “Bond girls” viraram marca registrada nos 20 filmes do agente secreto inglês. Elas são belas, na maioria dos casos querem matá-lo, mas nunca deixam de resistir ao seu charme. Em segundo lugar da pesquisa ficou Famke Janssen ("007 Contra Goldeneye", 1995), seguida por Jane Seymour ("007 Viva e Deixe Morrer", 1973), Halle Berry ("Um Novo Dia Para Morrer", 2003) e Lois Chiles ("007 Contra O Foguete da Morte", 1979).
Aproveitando esta pesquisa, vou escrever sobre as “Bond girls”. Isto é complicado, pois é um tema altamente manjado. Inúmeras crônicas já foram escritas sobre elas (sugiro a de autoria de Marcelo Hassel, no site Omelete), e, especialmente, sobre o fascínio que elas exercem sobre a imaginação masculina. Esta é uma questão interessante. Apesar da grande maioria das atrizes que interpretaram as “Bond girls” serem lindíssimas, elas fogem aos tradicionais padrões brasileiros de peitão-coxão-bundão. Assim, como poderia ser explicada a atração que elas exercem sobre nós, brasileiros e, consequentemente, em todo o homem que se preze no mundo todo? Resposta: o fetiche! O que marca mesmo uma “Bond girl” é o fetiche, já que elas usam roupas insinuantes (biquínis ou fardas, por exemplo), são perigosas, excelentes motoristas e pilotos (de aviões, helicópteros, submarinos, naves espaciais, etc.), mestres em artes marciais e, o mais importante, sem muitos rodeios quando se trata de sexo. Essa, para nós (por favor, todo homem que se preze é machista!), é a sua melhor qualidade.
Já tecnicamente falando, a atriz que interpreta uma “Bond girl” representa um papel que pode mostrar um duplo interesse pelo personagem do espião: o de amor propriamente dito ou meramente atração sexual. Neste último caso (que, convenhamos, é o que a nós, homens, interessa), é marcante outra característica típica de uma “Bond girl”: os nomes com duplo sentido. Por exemplo, a personagem Pussy Galore, interpretada por Honor Blackman em “007 Contra Goldfinger” (Goldfinger, 1964), cujo nome, se literalmente traduzido para o português, significaria “xoxotaem abundância”. Temos ainda a agente soviética “Triplo X” (XXX), vivida por Barbara Bach em “007 O Espião Que Me Amava” (The Spy Who Loves Me, 1977). Como se sabe, nos Estados Unidos, os três “X” classificam os filmes pornôs! A lista continua...
Nos filmes, as “Bond girls” podem ser vítimas salvas pelo espião de agentes ou organizações inimigas, aliados e até mesmo vilãs. Algumas vezes elas são apenas coadjuvantes (o termo mais apropriado nesse caso seria o inglês “eye candy”, expressão que literalmente traduzida seria algo como “coisa lembrada apenas por sua beleza”) e não tendo envolvimento direto na missão de Bond. Elas apenas atravessam seu caminho e acabam parando em sua cama. Contudo, nem todas as personagens femininas que apareceram nos filmes do espião podem ser consideradas “Bond girls” como, por, exemplo a M vivida por Judi Dench e as diversas atrizes que interpretaram Moneypenny, a eternamente apaixonada secretaria que suspira toda vez que se encontra com Bond. Curiosamente, a atriz que interpretou Moneypenny em “Um Novo Dia para Morrer” (Die Another Day, 2002) se chama Samantha... Bond!  
Bem vamos a minha lista de “Bond girls”, a qual não tive como não concordar com a Empire nos primeiros lugares.
 
1 – Ursula Andress (hours-concurs!).
Nascida na Suíça, Ursula foi modelo em Roma entre o final da década de 1950 e início de 1960. Após conseguir alguns pequenos papéis na efervescente indústria cinematográfica italiana da época, Ursula foi convidada (segundo consta após muito lobby de seu marido na época, John Derek) para representar Honey Ryder, personagem do primeiro filme de James Bond, 007 Contra o Satânico Dr. No (Dr. No, 1962. Nossa como os títulos brasileiros são ridículos!). Sua primeira aparição no filme acabou por se tornar um dos momentos inesquecíveis das aventuras de 007 quando ela sai do mar cristalino da Jamaica – sob o olhar embasbacado de Bond (vivido por Sean Connery) – em um biquíni branco (reparem o detalhe da faca presa à cintura), carregando duas conchas, cantando uma música que parece ser um calypso (um verdadeiro, não o da Banda Colapso) e sacudindo seus cabelos. Na época, alguns críticos afirmaram que a combinação mar-concha-loura maravilhosa, teria sido inspirada pela pintura “Nascimento de Vênus”, de Boticelli! Isso não parece exagero pois foi confirmado pelo autor Ian Flemming, que descreveu a aparição de Honey no livro que deu origem ao filme (1958) como saindo completamente nua das águas, como “uma espécie de Vênus moderna”. Emblemático também o primeiro diálogo entre Bond e Ryder. Ela: “Are you looking for shells?” Bond: “No, I'm just looking”. Sempre os trocadilhos. Desculpem, mas esse ficaria sem graça traduzir... Enfim, o frisson causado pela cena foi grande. O biquíni, por exemplo, que Ursula jura ter sido desenhado por ela e que, apesar de ser mais do que comportado para os padrões atuais, causou, além de uma grande controvérsia, um aumento mundial nas vendas da peça! Tudo isso fez com que ninguém ligasse para as limitadas capacidades de interpretação de Ursula e para o fato de, devido a um acentuado sotaque suíço-alemão, sua voz ter sido dublada. Ursula aproveitou bem o sucesso conseguido com o filme, fazendo contratos publicitários e aparecendo em outros filmes com mais ou menos o mesmo papel, a de femme fatale meio mal-humorada, ou em comédias leves. Considerada a primeira “Bond girl”, Ursula/Honey foi, na verdade, precedida nos braços de Bond em “Dr. No” pela personagem Sylvia Trench, interpretada pela atriz Eunice Grayson. Isso pouco importa para os fãs da série pois Ursula sempre será a primeira. Em “Um Novo Dia Para Morrer”, Halle Berry a homenageou reproduzindo a cena do biquini. 
    
2 – Famke Janssen (outro hours-concours!)
Vilã vivida pela atriz sueca Famke Janssen em “007 Contra Goldeneye” (GoldenEye, 1995), Onatopp (também um trocadilho, que literalmente significaria “ficar por cima” o que nos filmes de James Bond, como escrevemos acima, ganha uma óbvia conotação sexual) nasceu na república da Georgia, tendo sido piloto de caça da Força Aérea Soviética e membro da KGB. Após o fim da URSS, ela ingressou na organização criminosa Janus comandada pelo agente renegado Alec Trevelyan (Sean Bean). No começo do filme, Bond (então vivido por Pierce Brosnan) envolve-se com ela em uma eletrizante perseguição de carros, ele no tradicional Aston Martin DB5 – o mesmo usado em “007 Contra Goldfinger" (Goldfinger, 1964) e “007 Contra a Chantagem Atômica” (Jesus! Que nome horrível para Thunderball, 1965) – e ela em uma Ferrari 355. Mais tarde, Bond encontrou-se com ela em um cassino em Monte Carlo, onde disputam uma tensa partida de... Desculpem, eu não lembro o nome do jogo.
Contudo, a principal característica de Onatopp é o fato dela ser sádica, pois só consegue se satisfazer sexualmente matando seu parceiro! A primeira vítima de sua “chave-de-coxa” é um almirante canadense que tem seu tórax esmagado enquanto goza profundamente. Por duas vezes, ela tenta fazer o mesmo com Bond. A primeira vez em uma sauna e a segunda em Cuba, onde quase obtém sucesso. Nesta ocasião, após conseguir se desvencilhar das poderosas coxas de Onatopp, o espião consegue prendê-la por uma corda a um helicóptero que, depois de uma rajada de metralhadora, cai arrastando consigo a vilã até o encontro à forquilha de uma árvore, onde morreu esmagada. Cinicamente, Bond afirma: “ela sempre gostou de um bom apertão”. Apesar de não ter ido para cama com Bond, Onatopp é considerada – também por mim – uma das melhores “Bond girls”, sendo também o segundo personagem feminino a ser morto pelo espião em seus filmes.
 
3 – Caroline Munro
Modelo inglesa que antes de se tornar “Bond girl” ficou famosa por participar de vários filmes baratos de ficção científica e de terror. No início da década de 1970, Caroline contracenou com ninguém menos do que o lendário Vincent Price (1911-1993) em dois filmes: “O Abominável Sr. Phibes” (The Abominable Dr. Phibes, 1971) e em“A câmara de horrores do abominável Dr. Phibes”(Dr. Phibes Rises Again, 1972), dois clássicos do terror trash que eu adoro. O desempenho (?) de Caroline fez com que ela fosse contratada pela “meca” dos filmes de terror da época, a produtora inglesa Hammer Films. Depois de ter participado de alguns filmes, como o ótimo “Drácula no Mundo da Minissaia” (ridículo nome brasileiro para Dracula AD 1972, 1974), Caroline ficou conhecida por ter recusado o papel-título na adaptação para o cinema de Vampirella, um verdadeiro ícone na história dos quadrinhos. No currículo de Caroline se destaca também a participação em “As Novas Viagens de Simbad” (The Golden Voyage of Simbad, 1974). Esse é fácil! Lembram da Sessão da Tarde? Este é aquele filme em que Simbad luta com uma espécie de deusa Shiva de seis braços, um centauro-ciclope (credo!) e um grifo, todos bonecos filmados em stop-motion, típicos dos filmes do mestre em efeitos especiais Ray Harryhausen. Mais tarde, Caroline recusou o papel da vilã Ursa em “Superman: o filme” (Superman, 1978) para participar do filme que a consagraria, “007 – O Espião Que Me Amava” (The Spy Who Loved Me, 1977). No papel da piloto de helicóptero Naomi (que ela pilota usando um biquíni – sempre ele – marrom), ela acabaria por protagonizar com Roger Moore uma das mais espetaculares seqüências de perseguição de carros em todos os filmes da série. No final, Bond derruba seu helicóptero com um míssil lançado de um dos mais espetaculares carros já utilizados na série, o Lotus Esprit branco, aquele que vira submarino. A destruição do helicóptero de Naomi marca a primeira vez que Bond deliberadamente mata uma mulher em um filme da série.   

4 – Lana Wood
Descendente de imigrantes russos e nascida Svetlana Gurdin, tornou-se mais conhecida pelo nome artístico de Lana Wood, adotado uma vez que é irmã mais nova do que ninguém menos do que a estrela Natalie Wood (ver The West Side Story). Ela participou de “007 Os Diamantes São Eternos” (Diamonds Are Forever, 1971) como Plenty O’Toole, sendo seu nome mais um dos óbvios trocadilhos presentes na série, pois o “Plenty” – no sentido de cheio – é uma clara referência aos seus seios avantajados. No filme, ela surge pela primeira vez em uma mesa de dados em um cassino de Las Vegas vestida com um provocante vestido púrpura que valoriza seus óbvios atributos. A cena em que Bond a leva para a cama foi cortada do filme, mas restaurada no DVD. Seu destino no filme foi trágico, pois foi assassinada por engano em uma piscina pela hilária dupla de assassinos Mr. Wint (Bruce Glover) e Mr. Kidd (Putter Smith).
 
5 – Kim Basinger
Em “007 – Nunca Mais Outra Vez” (Never Say Never Again, 1983. Em Portugal, onde reinam as traduções literais, o filme foi chamado de Nunca Mais Digas Nunca), uma até então pouco conhecida Kim Basinger interpretou Domino, amante do vilão Maximillian Largo (Klaus Maria Brandauer) que passou a ajudar 007 depois que este lhe conta da morte do irmão. Este filme não é considerado como “oficial” do espião, pois envolveu uma longa disputa judicial em torno dos direitos autorais. Ele nada mais é do que uma refilmagem de “007 Contra a Chantagem Atômica” (e eu falando dos portugueses. Que nome ridículo!), inclusive no que toca a Kim Basinger, que interpreta o mesmo papel vivido anteriormente por Claudine Auger na produção de 1965. O filme foi bem recebido pelos fãs da série que desejavam rever Sean Connery de novo na pele de 007, apesar do aspecto meio bizarro de ver o ator usando uma peruca grisalha (Connery já estava calvo) e sentindo o peso da idade. Depois de seu último filme – Os Diamantes São Eternos – Connery disse que nunca mais encarnaria 007. Daí o porquê do título do filme. O convenceram do contrário um cachê de 5 milhões de dólares (um recorde para a época) e total ingerência na produção. Enfim, foi como “Bond girl” que Kim Basinger teve sua primeira grande oportunidade no cinema, aparecendo em seguida num ensaio fotográfico de oito páginas na revista Playboy.

50 anos de James Bond no cinema

 
No dia 5 de outubro de 1962 estreava nos cinemas a primeira aventura do agente 007. O filme era "007 Contra o Satânico Dr. No" (Dr. No, 1962) e trazia as aventuras de James Bond, criado pelo escritor Ian Fleming (1908-1964) no romance "Casino Royale", lançado em 1953. 
A data me pegou totalmente de surpresa, uma vez que obviamente gostaria de fazer uma postagem com os carros do agente, algo já manjado, mas que sempre agrada uma vez que eles sempre são super-máquinas cheias de truques e tecnologia que só mesmo o cinema pode criar. Enfim, como ainda nem comecei a fazer o texto, pensei apenas em colocar uma foto do maior de todos os 007, Sean Connery, ao lado do mais conhecido carro utilizado pelo personagem, o Aston Martin DB5 de 1963, que na época da realização do filme, ele ainda era um protótipo e foi emprestado mediante um seguro astronômico. Aí me lembrei que em meu antigo blog, o AWCoelho (uma postagem dele já apareceu aqui lembra?), havia feito uma postagem sobre as minhas Bondgirls preferidas. Assim, enquanto a postagem sobre os carros do 007 não vem (inclusive estou amadurecendo uma idéia muito bacana para ela) e para a data não passar em branco, vou reproduzi-la aqui. Só lembrando que o texto foi escrito em 2006, então ainda não entraram na lista as mulheres dos novos filmes estrelados por Daniel Craig.


Bond Girls

Em julho, a suíça Ursula Andress foi eleita a melhor Bond Girl de todos os tempos em uma pesquisa feita pela revista de cinema Empire e pela Sony Pictures. A atriz, hoje com 70 anos, foi a estrela de “007 Contra o Satânico Dr. No” (Dr. No, 1962). A partir dela, então com 26 anos, as “Bond girls” viraram marca registrada nos 20 filmes do agente secreto inglês. Elas são belas, na maioria dos casos querem matá-lo, mas nunca deixam de resistir ao seu charme. Em segundo lugar da pesquisa ficou Famke Janssen ("007 Contra Goldeneye", 1995), seguida por Jane Seymour ("007 Viva e Deixe Morrer", 1973), Halle Berry ("Um Novo Dia Para Morrer", 2003) e Lois Chiles ("007 Contra O Foguete da Morte", 1979).
Aproveitando esta pesquisa, vou escrever sobre as “Bond girls”. Isto é complicado, pois é um tema altamente manjado. Inúmeras crônicas já foram escritas sobre elas (sugiro a de autoria de Marcelo Hassel, no site Omelete), e, especialmente, sobre o fascínio que elas exercem sobre a imaginação masculina. Esta é uma questão interessante. Apesar da grande maioria das atrizes que interpretaram as “Bond girls” serem lindíssimas, elas fogem aos tradicionais padrões brasileiros de peitão-coxão-bundão. Assim, como poderia ser explicada a atração que elas exercem sobre nós, brasileiros e, consequentemente, em todo o homem que se preze no mundo todo? Resposta: o fetiche! O que marca mesmo uma “Bond girl” é o fetiche, já que elas usam roupas insinuantes (biquínis ou fardas, por exemplo), são perigosas, excelentes motoristas e pilotos (de aviões, helicópteros, submarinos, naves espaciais, etc.), mestres em artes marciais e, o mais importante, sem muitos rodeios quando se trata de sexo. Essa, para nós (por favor, todo homem que se preze é machista!), é a sua melhor qualidade.
Já tecnicamente falando, a atriz que interpreta uma “Bond girl” representa um papel que pode mostrar um duplo interesse pelo personagem do espião: o de amor propriamente dito ou meramente atração sexual. Neste último caso (que, convenhamos, é o que a nós, homens, interessa), é marcante outra característica típica de uma “Bond girl”: os nomes com duplo sentido. Por exemplo, a personagem Pussy Galore, interpretada por Honor Blackman em “007 Contra Goldfinger” (Goldfinger, 1964), cujo nome, se literalmente traduzido para o português, significaria “xoxotaem abundância”. Temos ainda a agente soviética “Triplo X” (XXX), vivida por Barbara Bach em “007 O Espião Que Me Amava” (The Spy Who Loves Me, 1977). Como se sabe, nos Estados Unidos, os três “X” classificam os filmes pornôs! A lista continua...
Nos filmes, as “Bond girls” podem ser vítimas salvas pelo espião de agentes ou organizações inimigas, aliados e até mesmo vilãs. Algumas vezes elas são apenas coadjuvantes (o termo mais apropriado nesse caso seria o inglês “eye candy”, expressão que literalmente traduzida seria algo como “coisa lembrada apenas por sua beleza”) e não tendo envolvimento direto na missão de Bond. Elas apenas atravessam seu caminho e acabam parando em sua cama. Contudo, nem todas as personagens femininas que apareceram nos filmes do espião podem ser consideradas “Bond girls” como, por, exemplo a M vivida por Judi Dench e as diversas atrizes que interpretaram Moneypenny, a eternamente apaixonada secretaria que suspira toda vez que se encontra com Bond. Curiosamente, a atriz que interpretou Moneypenny em “Um Novo Dia para Morrer” (Die Another Day, 2002) se chama Samantha... Bond!  
Bem vamos a minha lista de “Bond girls”, a qual não tive como não concordar com a Empire nos primeiros lugares.
 
1 – Ursula Andress (hours-concurs!).
Nascida na Suíça, Ursula foi modelo em Roma entre o final da década de 1950 e início de 1960. Após conseguir alguns pequenos papéis na efervescente indústria cinematográfica italiana da época, Ursula foi convidada (segundo consta após muito lobby de seu marido na época, John Derek) para representar Honey Ryder, personagem do primeiro filme de James Bond, 007 Contra o Satânico Dr. No (Dr. No, 1962. Nossa como os títulos brasileiros são ridículos!). Sua primeira aparição no filme acabou por se tornar um dos momentos inesquecíveis das aventuras de 007 quando ela sai do mar cristalino da Jamaica – sob o olhar embasbacado de Bond (vivido por Sean Connery) – em um biquíni branco (reparem o detalhe da faca presa à cintura), carregando duas conchas, cantando uma música que parece ser um calypso (um verdadeiro, não o da Banda Colapso) e sacudindo seus cabelos. Na época, alguns críticos afirmaram que a combinação mar-concha-loura maravilhosa, teria sido inspirada pela pintura “Nascimento de Vênus”, de Boticelli! Isso não parece exagero pois foi confirmado pelo autor Ian Flemming, que descreveu a aparição de Honey no livro que deu origem ao filme (1958) como saindo completamente nua das águas, como “uma espécie de Vênus moderna”. Emblemático também o primeiro diálogo entre Bond e Ryder. Ela: “Are you looking for shells?” Bond: “No, I'm just looking”. Sempre os trocadilhos. Desculpem, mas esse ficaria sem graça traduzir... Enfim, o frisson causado pela cena foi grande. O biquíni, por exemplo, que Ursula jura ter sido desenhado por ela e que, apesar de ser mais do que comportado para os padrões atuais, causou, além de uma grande controvérsia, um aumento mundial nas vendas da peça! Tudo isso fez com que ninguém ligasse para as limitadas capacidades de interpretação de Ursula e para o fato de, devido a um acentuado sotaque suíço-alemão, sua voz ter sido dublada. Ursula aproveitou bem o sucesso conseguido com o filme, fazendo contratos publicitários e aparecendo em outros filmes com mais ou menos o mesmo papel, a de femme fatale meio mal-humorada, ou em comédias leves. Considerada a primeira “Bond girl”, Ursula/Honey foi, na verdade, precedida nos braços de Bond em “Dr. No” pela personagem Sylvia Trench, interpretada pela atriz Eunice Grayson. Isso pouco importa para os fãs da série pois Ursula sempre será a primeira. Em “Um Novo Dia Para Morrer”, Halle Berry a homenageou reproduzindo a cena do biquini. 
    
2 – Famke Janssen (outro hours-concours!)
Vilã vivida pela atriz sueca Famke Janssen em “007 Contra Goldeneye” (GoldenEye, 1995), Onatopp (também um trocadilho, que literalmente significaria “ficar por cima” o que nos filmes de James Bond, como escrevemos acima, ganha uma óbvia conotação sexual) nasceu na república da Georgia, tendo sido piloto de caça da Força Aérea Soviética e membro da KGB. Após o fim da URSS, ela ingressou na organização criminosa Janus comandada pelo agente renegado Alec Trevelyan (Sean Bean). No começo do filme, Bond (então vivido por Pierce Brosnan) envolve-se com ela em uma eletrizante perseguição de carros, ele no tradicional Aston Martin DB5 – o mesmo usado em “007 Contra Goldfinger" (Goldfinger, 1964) e “007 Contra a Chantagem Atômica” (Jesus! Que nome horrível para Thunderball, 1965) – e ela em uma Ferrari 355. Mais tarde, Bond encontrou-se com ela em um cassino em Monte Carlo, onde disputam uma tensa partida de... Desculpem, eu não lembro o nome do jogo.
Contudo, a principal característica de Onatopp é o fato dela ser sádica, pois só consegue se satisfazer sexualmente matando seu parceiro! A primeira vítima de sua “chave-de-coxa” é um almirante canadense que tem seu tórax esmagado enquanto goza profundamente. Por duas vezes, ela tenta fazer o mesmo com Bond. A primeira vez em uma sauna e a segunda em Cuba, onde quase obtém sucesso. Nesta ocasião, após conseguir se desvencilhar das poderosas coxas de Onatopp, o espião consegue prendê-la por uma corda a um helicóptero que, depois de uma rajada de metralhadora, cai arrastando consigo a vilã até o encontro à forquilha de uma árvore, onde morreu esmagada. Cinicamente, Bond afirma: “ela sempre gostou de um bom apertão”. Apesar de não ter ido para cama com Bond, Onatopp é considerada – também por mim – uma das melhores “Bond girls”, sendo também o segundo personagem feminino a ser morto pelo espião em seus filmes.
 
3 – Caroline Munro
Modelo inglesa que antes de se tornar “Bond girl” ficou famosa por participar de vários filmes baratos de ficção científica e de terror. No início da década de 1970, Caroline contracenou com ninguém menos do que o lendário Vincent Price (1911-1993) em dois filmes: “O Abominável Sr. Phibes” (The Abominable Dr. Phibes, 1971) e em“A câmara de horrores do abominável Dr. Phibes”(Dr. Phibes Rises Again, 1972), dois clássicos do terror trash que eu adoro. O desempenho (?) de Caroline fez com que ela fosse contratada pela “meca” dos filmes de terror da época, a produtora inglesa Hammer Films. Depois de ter participado de alguns filmes, como o ótimo “Drácula no Mundo da Minissaia” (ridículo nome brasileiro para Dracula AD 1972, 1974), Caroline ficou conhecida por ter recusado o papel-título na adaptação para o cinema de Vampirella, um verdadeiro ícone na história dos quadrinhos. No currículo de Caroline se destaca também a participação em “As Novas Viagens de Simbad” (The Golden Voyage of Simbad, 1974). Esse é fácil! Lembram da Sessão da Tarde? Este é aquele filme em que Simbad luta com uma espécie de deusa Shiva de seis braços, um centauro-ciclope (credo!) e um grifo, todos bonecos filmados em stop-motion, típicos dos filmes do mestre em efeitos especiais Ray Harryhausen. Mais tarde, Caroline recusou o papel da vilã Ursa em “Superman: o filme” (Superman, 1978) para participar do filme que a consagraria, “007 – O Espião Que Me Amava” (The Spy Who Loved Me, 1977). No papel da piloto de helicóptero Naomi (que ela pilota usando um biquíni – sempre ele – marrom), ela acabaria por protagonizar com Roger Moore uma das mais espetaculares seqüências de perseguição de carros em todos os filmes da série. No final, Bond derruba seu helicóptero com um míssil lançado de um dos mais espetaculares carros já utilizados na série, o Lotus Esprit branco, aquele que vira submarino. A destruição do helicóptero de Naomi marca a primeira vez que Bond deliberadamente mata uma mulher em um filme da série.   

4 – Lana Wood
Descendente de imigrantes russos e nascida Svetlana Gurdin, tornou-se mais conhecida pelo nome artístico de Lana Wood, adotado uma vez que é irmã mais nova do que ninguém menos do que a estrela Natalie Wood (ver The West Side Story). Ela participou de “007 Os Diamantes São Eternos” (Diamonds Are Forever, 1971) como Plenty O’Toole, sendo seu nome mais um dos óbvios trocadilhos presentes na série, pois o “Plenty” – no sentido de cheio – é uma clara referência aos seus seios avantajados. No filme, ela surge pela primeira vez em uma mesa de dados em um cassino de Las Vegas vestida com um provocante vestido púrpura que valoriza seus óbvios atributos. A cena em que Bond a leva para a cama foi cortada do filme, mas restaurada no DVD. Seu destino no filme foi trágico, pois foi assassinada por engano em uma piscina pela hilária dupla de assassinos Mr. Wint (Bruce Glover) e Mr. Kidd (Putter Smith).
 
5 – Kim Basinger
Em “007 – Nunca Mais Outra Vez” (Never Say Never Again, 1983. Em Portugal, onde reinam as traduções literais, o filme foi chamado de Nunca Mais Digas Nunca), uma até então pouco conhecida Kim Basinger interpretou Domino, amante do vilão Maximillian Largo (Klaus Maria Brandauer) que passou a ajudar 007 depois que este lhe conta da morte do irmão. Este filme não é considerado como “oficial” do espião, pois envolveu uma longa disputa judicial em torno dos direitos autorais. Ele nada mais é do que uma refilmagem de “007 Contra a Chantagem Atômica” (e eu falando dos portugueses. Que nome ridículo!), inclusive no que toca a Kim Basinger, que interpreta o mesmo papel vivido anteriormente por Claudine Auger na produção de 1965. O filme foi bem recebido pelos fãs da série que desejavam rever Sean Connery de novo na pele de 007, apesar do aspecto meio bizarro de ver o ator usando uma peruca grisalha (Connery já estava calvo) e sentindo o peso da idade. Depois de seu último filme – Os Diamantes São Eternos – Connery disse que nunca mais encarnaria 007. Daí o porquê do título do filme. O convenceram do contrário um cachê de 5 milhões de dólares (um recorde para a época) e total ingerência na produção. Enfim, foi como “Bond girl” que Kim Basinger teve sua primeira grande oportunidade no cinema, aparecendo em seguida num ensaio fotográfico de oito páginas na revista Playboy.